RONDONOTICIAS sábado, 20 de julho de 2019 - Criado em 11/10/2001

Poesias Leila Míccolis – Maricá, RJ


Por Selmo Vasconcellos

15/06/2019 17:48:44 - Atualizado

POESIAS

LEILA MÍCCOLIS – Maricá, RJ



Confissão

Dizem que o amor é cego,
não nego,
por isso te abro os olhos:
não tenho bens nem alqueires,
eu não sou flor que se cheire,
nem tão boa cozinheira,
(bem capaz que ainda me piches
por só comer sanduíches),
minha poesia é fuleira,
tenho idéias de jerico,
um cio meio impudico
como as cadelas e as gatas,
às vezes me torno chata
por me opor ao que contemplo,
sei que sou péssimo exemplo,
por pouca coisa me grilo,
talvez por mim percas quilos,
eu não sei se valho a pena,
iguais a mim, há centenas,
desejo te ser sincera.
Mas no fundo o amor espera
que grudes qual carrapicho:
são tão grandes meu rabicho
e minha paixão por ti,
que não estão no gibi...
Ao te ver, viro pamonha,
sem ação, e sem vergonha
o meu ser inteiro goza.
Por isso, pra encurtar prosa,
do teu corpo, cada poro
eu adoro adoro adoro...

*****

MANO MELO – Rio de Janeiro, RJ

GARRINCHA

Mané Garrincha era um menino sorridente
Que corria entre os dentes verdes das bocas de futebol.
Os cartolas decretavam
Que seu joelho era uma bola
Podiam chutar à vontade

Um dia Garrincha fugiu do campo de concentração
Pra tomar banho de mar.
Morreu afogado num copo de traçado.

Nesse dia
Deu zebra na loteria
Esgotaram-se edições extras de todos os jornais.
O povo ficou triste ouvindo o rádio de pilha.
Se fizeram minutos de silêncios antes das pelejas
Seus companheiros estavam macambúzios nos funerais.
Um padre na capela rezou um Assim Seja
E a multidão pisou nos túmulos pra ver os craques da seleção.

Depois seu nome restou lembrança num time de botão
Que uma criança largou esquecida no chão.

******

ELIAKIN RUFINO – Boa Vista, RR

Mudança das folhas

em roraima

não há primavera

somente inverno e verão

mas a flor do meu canto

nasce em qualquer estação

no inverno eu canto o verde

o rio cheio

o capim

eu canto as águas de julho

que é tempo do buriti

no verão eu canto a lua

a praia grande

o céu azul

eu canto o sol de janeiro

que é tempo do caju

em roraima

não existe outono

somente inverno e verão

caem folhas do meu canto

poemas rolam no chão

*****

SONIA SALES – São Paulo, SP

TENHO MEDO

Tenho medo :

Da noite sem fim.

Da tumba onde estarei

exposta ao meu destino

como carne, devorada por

vermes.

Eles sairão por minha

boca, após se fartarem com

a minha memória, meus

afetos, minhas lembranças.

De mim,

um punhado de palavras

aprisionadas em livros,

jogados em algum canto

de uma biblioteca sem uso.

Poeira, lixo

como tantos.

*****

JUJU CAMPBELL – Rio de Janeiro, RJ  

POEMA DE VERÃO

As frondosas arvores do passado arqueiam-se

sobre os jardins repletos de sedentas flores do presente,

e generosas vertem abundante selva.

Que em cada flor desabrochem favos de mel.

E canalizem-se as águas das chuvas

contra os braseiros do sol ( e da lua incandescentes ).

Quando a área! Sem oásis arde e se estende

que espalhem fresca e façam sombras

as sementes das flores do presente !

as frondosas arvores do passado

que se arqueiam sobre as sedentas flores do presente.





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