RONDONOTICIAS terça-feira, 16 de outubro de 2018 - Criado em 11/10/2001

POLÍTICA & cia: Na alegria e na tristeza, na vitória e na derrota


Por Jocenir Santanna

09/10/2018 15:05:50 - Atualizado


Existe um adágio popular muito antigo que sentencia que a mão que afaga é a mesma que bate. Outro diz que pau que bate em Chico, bate em Francisco. E verdadeiramente, assim é na vida e também na política. Resultado de um marketing positivo construído pelo seu marido lá nos idos da década de 1990, a Deputada Marinha Raupp está no seu sexto mandato consecutivo na Câmara Federal e sempre surfou na crista da onda do ex-governador e atual senador Valdir Raupp. Onde Raupp ia, inseria Marinha no contexto. Uma emenda liberada por Valdir, a esposa estava contemplada com os méritos, faturando politicamente, mesmo, muitas vezes, sem ter participação alguma no processo.

Essa proximidade, essas ações conjuntas que sempre levaram o nome de Marinha às alturas, de uma hora para outra se tornou um fantasma na vida política da deputada. O envolvimento de Valdir na Operação Lava Jato puxou para baixo a popularidade de Marinha, pois o povo comprou a ideia do marketing pessoal do casal e considera Valdir e Marinha, um só corpo político.

Ao longo dos 24 anos de mandato, Marinha não conseguiu construir uma história própria, esteve sempre atrelada ao marido e agora paga caro por isso. Mesmo sem nenhuma citação em operação alguma da Polícia Federal ou Ministério Público, sem nada que a desabone, Marinha foi rechaçada da política nas últimas eleições e termina melancolicamente, um ciclo de sucesso na vida pública.

A popularidade da deputada que já foi a campeã de sufrágios no estado, com mais de 100 mil votos em uma eleição, despencou de um tanto, que estava sendo vaiada até em reunião de condomínio. Em Rolim de Moura, no ano passado, durante um evento de comemoração de aniversário da cidade, berço eleitoral do casal Raupp, Marinha foi solenemente vaiada, ao ponto de interromper o discurso que fazia e ter que abandonar o palco. De lá pra cá a bancarrota política estava instalada.

Correligionários de primeira hora lhe viraram as costas, parceiros políticos mantinham distância e a popularidade baixava a cada reunião, a cada post na internet, a cada participação no horário político no rádio e na televisão, até que no dia 07 de outubro se confirmou o que as ruas gritavam. O fim desta era Raupp na política.

Com pouco mais de 18 mil votos, Marinha ficou longe da eleição e viu, de braços dados com a história,a queda do patriarca político da família, que disputando a reeleição ao senado amargou a mesma rejeição, ficando na difícil quinta colocação. O homem que mandou na política do Estado, que comandou o maior partido político do Brasil, referência política de Rondônia por muitos anos, perdeu para a sua própria história.

Culpado ou inocente, ainda não resta provado nenhuma das duas situações, porém, o povo de Rondônia já julgou e executou a sentença, afastando do cenário político, através do voto, mesmo que por apenas um mandato, uma história política de décadas, formada por erros e acertos como todo ser humano, que queda numa hora em que o povo pede renovação.

Dizem que quatro anos passam rápido, que a derrota em uma eleição é o início do trabalho para outra, porém, serão certamente, os quatro anos mais longos na vida do casal Raupp, que literalmente correu o mundo através do poder, que tropeçou e evitou a queda algumas vezes, mas que agora terão um tempo para repensar ações realizadas e programar novos passos.

Certamente este não é o fim do casal Raupp, mas obrigatoriamente, dia 31 de janeiro, será o marco inicial para uma nova história. Sem foro privilegiado, sem as benesses do poder, com adversários de ontem e os inimigos de hoje ocupando os postos onde estiveram por muitos anos, Valdir e Marinha Raupp descem do pedestal e se tornam meros mortais, enfrentando as agruras do dia a dia, com um olho no peixe e outro no gato, com uma agenda vazia de compromissos e cheia de planos para uma reascensão política.

Que o grito das urnas tenham servido de alerta de que o povo está mais esperto, consciente e cansado da velha política. Política esta que precisa ser reinventada, rediscutida, repactuada, repaginada. O povo cansou de tapinhas nas costas e ações de marketing. O povo de Rondônia cansou dos velhos Raupp´s. O povo mostrou o que quer e quem quiser sobreviver nesta selva de pedra chamada política, precisará se moldar aos novos tempos, sob pena de ser banido pela rejeição, confirmada pelo voto.


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