RONDONOTICIAS quinta-feira, 20 de junho de 2019 - Criado em 11/10/2001

Nova edição do livro “O outro braço da cruz”, foi lançada nesta quinta-feira


Secom RO

27/12/2018 10:43:00 - Atualizado

Acampamento de participantes da Caravana Ford, no Seringal Jaru

RONDÔNIA - O governador Daniel Pereira lançará em ato solene nesta quinta-feira (27) , às 16h, no Salão Nobre Rosilda Schockness do Palácio Rio Madeira, em Porto Velho, a reimpressão do livro “O outro braço da cruz”, escrito pelo ex-governador Paulo Nunes Leal.

Pereira encomendou à Gráfica Imediata a reedição e anunciou-a durante a comemoração do 104º aniversário da capital, em outubro passado, num galpão da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.

Enriquecido com fotos, entre as quais, as da Caravana Ford, o “novo” livro republica, na última página, 226, relato do ex-governador Jorge Teixeira de Oliveira, comemorando o lançamento da edição original, fato que coincidiu com a visita do presidente da República João Baptista de Oliveira Figueiredo.

“O símbolo da cruz, que a grande obra rodoviária completa, abençoe a quantos nela colaboraram e já não mais estão entre nós para reviver a bela aventura” – escrevia Leal na apresentação do livro original.

Em 13 de setembro de 1984, no Trevo do Roque, o presidente, o ministro dos transportes Cloraldino Severo e o governador Teixeirãoinauguravam o asfaltamento da rodovia BR-364.

Consolidava-se dessa maneira o projeto do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, que 23 anos antes se reunia em Cuiabá com o governador do Território Federal de Rondônia e com representantes da Comissão Especial da BR-29 (numeração original) e das empresas empreiteiras, para a entrega oficial ao tráfego, da rodovia Brasília/Acre.

A epopeia dessa construção foi possível depois do gesto ousado de Paulo Leal, ao sugerir a JK a abertura da rodovia que possibilitou o acesso das regiões sudeste, sul e centro-oeste, à Amazônia Brasileira.

PARÓDIA

Na página 173, o livro menciona paródia do samba O orvalho vem caindo, de Noel Rosa e Kib Pepe, para descrever as agruras da construção da rodovia.

A estrada vai saindo
e começa muito mal,
inicia em Rio Branco,
vai 
pra nova Capital

Tenho passado tão mal,
agora é lama, o pium feijão sem sal

Da Guanabara
mergulhei lá no Jaru,
enfrentei carapanã,
borrachudo é praga de urubu

A estrada vai saindo…

Com a malária,
a carcaça a castigar
ainda existe gente braba
querendo me matar,
agradeço a JK.

Feita por um grupo improvisado e acompanhada pelo violão tocado pelo lendário seresteito Walter Bártolo, a paródia resultou num disco enviado ao presidente JK, que também apreciava o cancioneiro popular.

“SOLENEMENTE IGNORADA”

“O objetivo da Caravana Ford era criar uma situação que obrigasse o Departamento Nacional de Estradas e Rodagens e empreiteiras a se empenharem em estabelecerem a ligação Cuiabá-Porto Velho, para considerar de forma poder ser considerada a BR 29 construída no prazo estabelecido, 10 de dezembro, ainda na administração do Presidente Juscelino Kubitschek”, conta o acadêmico de letras e historiador Abnael Machado de Lima.

No entanto, houve entraves, lembra: “A preocupação era de que se assim não se realizasse, a sua construção provavelmente seria paralisada, porque o candidato com maior chance de ser eleito Presidente da República era o Dr. Jânio Quadros, contundente crítico ao programa rodoviário de Juscelino, taxando a rodovia Belém–Brasília de estrada das onças”.

Paulo Leal, autor do livro “O outro braço da cruz”

Segundo Lima, o coronel Paulo Leal, governador de Rondônia, recepcionava no aeroporto todos os candidatos a presidente em visita ao Território. “Um deles foi Jânio, ao qual, em audiência anterior no Rio de Janeiro, havia lhe exposto a importância da construção da BR-29 para o País, especialmente para Mato Grosso, seu estado natal.

“O governador disse-lhe que combatê-la não lhe daria dividendos políticos nas regiões diretamente beneficiadas. Atitude polida, mas reservada, de Jânio, não permitiu concluir qual seu verdadeiro pensamento sobre a questão”, conta.

Leal a Lima: “Ele me perguntou: como vai seu irmão, o eminente Ministro Dr. Vitor Nunes Leal*, e como anda sua estrada para o meu querido Estado de Mato Grosso?”.

“Em seu pronunciamento no comício realizado naquela noite, a BR-29 foi solenemente ignorada”, acrescenta o ex-governador, autor do livro.

QUEM FOI VITOR NUNES LEAL

Entre março e novembro de 1956, Vitor Nunes Leal, irmão de Paulo Leal e também nascido em Carangola (MG), exerceu as funções de procurador-geral da justiça do Distrito Federal [que ainda funcionava no Rio de Janeiro], assumindo em seguida a chefia do Gabinete Civil do presidente da República, Juscelino Kubitschek.

Nesse cargo, supervisionou a preparação do orçamento anual da União, apresentado pelo presidente ao Congresso Nacional, e coordenou o encaminhamento de todos os problemas políticos levados à presidência.

Em maio de 1958, foi enviado a Washington para entregar ao presidente Dwight Eisenhower uma carta em que Juscelino Kubitschek ressaltava o papel da luta contra o subdesenvolvimento na consolidação de regimes democráticos no continente e reafirmava a necessidade de os Estados Unidos participarem da Operação Pan-Americana (OPA), voltada para a assistência aos países latino-americanos.

Em agosto de 1959, poucos meses antes da mudança da capital para Brasília, deixou seu cargo no Gabinete Civil, para ser nomeado advogado da Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, procurador do Tribunal de Contas do novo Distrito Federal e, depois, consultor-geral da República, cargo que exerceu de fevereiro a outubro de 1960.


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