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OLHA O "ARVURUÇO! Crônica escrita pelo Professor Epaminondas Barba

CRÔNICA - São cinco e meia da manhã, o lago de CARAPANATUBA ta mais escuro do que o normal, o tempo fechado, grossas nuvens cúmulos nimbus tornam o ar mais frio, pelas brechas da imperfeição da lâmina do motosserra deixadas no Angelim da palafita dava pra ver o clarão dos raios de São Pedro, já da pra ouvir ao longe, o som dos tambores rolados no céu, provocando um barulho assustador e desesperador, as palhas da casa de forno começam a se agitar, a castanheira, grande e imponente, permanece imóvel, somente e suas folhas e frutos levemente balançam, vez ou outra um ouriço rasga a mata faz um "tum" ao tocar no chão coberto de folhas secas.

Zé do Carmo já acordado, há horas, toma um café e decide se vai ou não pra estrada cortar seringa, a bolsa de tabaco e o "papelim", companheiros inseparáveis do seringueiro, aguardam na ponta da mesa de Maracatiara, a lamparina a óleo diesel ainda cintila, soltando sua fumaça que deixa a parede "tirnada" ao seu redor.

Quando Zé decidiu sair pra ver o tempo lá fora, o sol já vinha raiando, o pé de Marimarí se destacava da vegetação aquática, com seus frutos compridos de um verde já tendendo pro amarelo, parecia dourado, o Japiim já acordado, com seu canto, completava a sinfonia dos pássaros e da floresta que se alvoroçava em dias de chuva, ele pensou em fazer a fogueira pra defumação do "sernambi", mas uma zuada anormal das galinhas que já a procura de comida, beiravam o igarapé.

Dirce gritou: corre Zé, já é a lazarenta pegando as galinhas. Zé correu, pegou a 16 e saiu apressadamente pra beira do rio de onde vinha o alvoroço, de longe já dava pra ver o rolo de Sucurí sufocando a galinha e engolindo a penosa, Zé se aproximou, com um movimento, empurrou o cartucho no cano da 16, se aplumou e meteu chumbo na cabeça da danada, ela deu um pinote, vomitou a galinha e rapidamente afundou no Rio, deixando um rebojo coisa mais medonha, Zé empurrou abriu a Cospe fogo, empurrou outro cartucho e se preparou pra amiudar o ataque, esperou uns cinco minutos, mas ela não apareceu, Zé pensou consigo mesmo: _Arrecebe sua danada, essa não come mais as galinhas, ainda se aproximou da que a cobra tinha mordido, já morta, jogou no rio e voltou pra dentro de casa.


Quando o tempo ta assim, ta bom é de "fachear", os peixes tão tudo de cabeça de fora, diz Dirce levantando a cabeça levemente pra espiar Zé do Carmo que azeitava a 16 com óleo de máquina Singer e um pedaço de tecido amarrado na ponta de uma corda pra limpar a parte interna do cano da espingarda, companheira de muitas caçadas, essa era bem tratada, não podia bater catolé na hora H, uma certa vez, ela o salvara de uma purruda de uma onça, que dava medo até de contar, história repetida muitas vezes por meu avô, eu já sabia até de cor.
Dias depois, a boiuna apareceu boiando no rio, três vezes mais larga devido ao inchaço.




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