RONDONOTICIAS quarta-feira, 21 de agosto de 2019 - Criado em 11/10/2001

Eu quero plantar orquídeas em Brumadinho


Arimar Souza de Sá

02/02/2019 19:27:15 - Atualizado

CRÔNICA DE FIM DE SEMANA

EU QUERO PLANTAR ORQUÍDEAS EM BRUMADINHO
- Arimar Souza de Sá

Hoje, amanheci de bem com a vida, espumando amor pelos poros e pedindo vênia a Deus para consagrar o “Dia das orquídeas” . Quero vê-las assim, hoje e sempre, exalando perfumes e perfumando o mundo.

E, neste clima, quero ouvir o ressoar dos ventos sobre os galhos das castanheiras, o marulhar das águas, o alvorecer dando brilho à testa da terra, o coaxar das rãs, o canto do sabiá, e a sinfonia do uirapuru na orquestração fantástica da natureza rondoniense.

Hoje estou assim, vestido de otimismo e, por isso, quero deixar que transpasse em mim a luz do mundo, não quero eclipse nesta minha Rondônia, onde piso desde que nasci.

Quero flutuar neste espaço amazônico com asas do Condor para divinizar um anjo da floresta para ser o meu irmão de amor.

E com o anjo da floresta, banhar-me nas águas do Rio Madeira para jogar de mim, as fraquezas do ano passado e não entregá-las a mais ninguém.

Não quero impregnar-me do horror da lama que braveja o coração da terra lá em Brumadinho, quando as águas se avolumam na zanga contra as barreiras que lhes impõe os homens focados apenas nos lucros, e vai matando inocentes.

Brumadinho, Ah Brumadinho! A farsa capitalista despejando horrores.

Brumadinho, de homens, mulheres e crianças soterrados, e não havia rico ali. Para os desgraçados, pensaram, o desprezo e o fim de suas vidas na lama. E eles não tiveram tempo nem de rezar, por isso neste dia que consagro às orquídeas, quero plantá-las naquele cemitério de horror das Minas Gerais, tentando amenizar a dor das famílias atingidas.

Oh meu anjo da floresta rondoniense, dá para mim o teu ombro, posto que estou de bem com a vida, mas permitindo-me chorar por aquelas vidas perdidas.

Choro envolvido de dor e de pranto, onde as lágrimas de mim sangram, como se de mim, dessangrasse a aflição brotada do furor dos deuses.

E aí me vejo ante essa brutal negação de amor e complico-me na reflexão de Castro Alves: “Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-nos vós, Senhor Deus! Se é loucura... Se é verdade tanto horror perante os céus”.

E vós orquídeas... Onde estás, e os vossos perfumes? Quero-as hoje e agora para amenizar essa dor de terra e água no massacre atroz desta ventania de morte que assola Brumadinho.

E como estou de bem com a vida, quero uma tempestade de amor para acampar naqueles prados, e pedir a todos os santos do mundo que se reúnam contra os artifícios de satanás, para, encontrados os corpos, sepultemos os mortos com pelo ao menos, o direito ao símbolo sagrado da cruz.

É... Senhores membros da corte brasileira, os pobres morrem e vem morrendo e morrerão tantos outros sob o chicote dos contratos com o “Príncipe”, retratado por Maquiavel. Revê-los, é urgente e necessário, para que os que restaram das tragédias, passem bem longe da lama.

Por fim, quero pedir ao criador. Oh Deus, abrandai esses solavancos de horror na terra, para que floresçam as orquídeas a serem plantadas no cemitério de Brumadinho, simbolizando a vida, e não sirvam apenas de enfeite às coroas nos féretros dos desgraçados da barragem.

AMÉM!



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