12/12/2016 16:55:10 - Atualizado em 12/12/2016 18:45:03

CRÔNICA: A POBREZA NOS ESTADOS E A RAPINAGEM DO INDUSTRIAL DA FÉ


A POBREZA DOS ESTADOS E A RAPINAGEM DO INDUSTRIAL DA FÉ- por Arimar Souza de Sá

A pobreza que se alastra pelos Estados é o cupim do tecido social. Traz como sequelas, as doenças endêmicas e epidêmicas, o aumento do consumo das drogas, da prostituição, da violência, dos inquilinos dos cárceres, sobretudo, causa o medo, e o remédio da hora é a conseqüente fuga aos templos ditos “religiosos”.

Em Porto Velho, amiúde, eles se multiplicam às escâncaras sem nenhuma vigilância do Estado.

Do Nacional, ao Ulisses Guimarães, viraram uma praga, no exercício dessa quermesse imensa e vergonhosa de vendas de indulgências e terrenos no céu, sem o devido estágio no purgatório.

A romaria é grande em direção a esses templos. E nesse passo, as notícias revelam que o pastor Edyr é fera endinheirada com esse modo de vida.

Dizem que ele tem avião, mansão, terras, fazendas, vida soberba de regalos e arrecadação perene, a despeito do capital minguando em tempos de crise, nas prateleiras dos bancos, e no bolso do franco que faz a oferta, muita das vezes, contrariado, fazendo careta, como quem chupa limão.

O homem não brinca e a olho nu, vai ampliando seu reino, construindo igrejinhas ou franquias aqui, ali e alhures, promovendo um verdadeiro “rapa” no bolso da “ingênua gente” que, empobrecida pela falta de oportunidade de viver uma vida digna, proporcionada pela máquina governamental, engorda cada vez mais os bolsos do mega empresário da fé.

Há até quem encare com naturalidade, que nossos irmãos se refugiem nesses páramos da ilusão e nos mundos indecifráveis da dor, se atirem como náufragos à busca de qualquer socorro, ou fio de esperança para aliviar seu sofrimento. Mas isso tem um preço muito alto!

Já na mente dos que pensam, no entanto, povoa a idéia de que o Estado não deveria se acovardar como faz. Deveria agir com vigor e rigor, mesmo a despeito de ter como adversário, uma bancada forte no Congresso, TVS, rádios e outros meios de comunicação, construídos de propósito para bancar a defesa e continuação da rapinagem dos tais dízimos indecorosos, em plena luz do dia.

Ora, essa gente vive, hoje na incerteza do amanhã. Sem esperança, qualquer ponta que seja de alívio a dor material e espiritual do incauto, sobrevive à idéia do amparo, porque em sua visão, em razão da monstruosidade dos homens de poder, a terra se transformou num verdadeiro inferno.

Melhor então, é dar um passeio no céu à custa de gordas ofertas e aliviar a incômoda agonia, ainda que momentânea.

Por isso, comprar ‘KIT’ no céu na base de ofertas diárias na “sacolinha” dos cultos, para eles, não lhes parece um mau negócio. Na dúvida, melhor arriscar e adquirir!

Tudo isso, ocorre, porém, porque os Estados são fracos e a míngua de recursos, em plena recessão, não reúnem energias suficientes para a indução de investimentos capazes de gerar novos empregos e massa salarial compatível, o que, por si só, já facilita a atenção dessa gente a esses templos ou arapucas onde se explora a fé.

Manietados pela perversa política econômico-financeira do governo federal, governadores vivem de mãos atadas e sem forças para resolver uma equação mágica de uma hora para outra, que mude em curto prazo, a reengenharia da estrutura do contingente de miseráveis, o mais fácil é silenciar e entregar de “mão beijada” tão sofrida gente, nas garras desses impostores.

E, enquanto o dia amanhece, floresce ignorância e triunfa o modelo de arrecadação do “pastor”, tudo debaixo do mais estúpido silêncio. É “batata”, correu, passou o chapéu, levou!

Um dia desses, eu vi um vídeo onde um pastor pedia para passar um automóvel para os domínios da igreja. E dizia: “Esta lata velha, não serve pra nada”. Ninguém se levantou para contestá-lo ou prendê-lo por estelionato. Ficou por isso!

De parte alguns católicos empedernidos, com alguma ponta de inveja, crescem o boato de que o modelo de negócio vem quebrando e que outras igrejas como métodos iguais de arrecadação, até já se animaram e andaram arranhando e esvaziando o cofre do universal dos templos.

E que por conta disso, seu mentor agiu rapidamente e programou um setor de cobrança mais eficiente, demitiu incompetentes na lavra e incluiu o camarada “dizimista” devedor, no SPC e SERASA e a febre baixou.

Parece ter fundamento. Porque daí pra frente, tudo foi glória e o homem voltou com ousadia, na fogueira santa de Israel anunciou que os banquetes voltaram regularmente no céu, desta vez, a preços mais convidativos.

De quebra, gravou foi um vídeo traçando novos e mais eficientes caminhos de como arrancar dinheiro de seu povo na base do grito, deu certo e todo mundo correu para o abraço.

De parte do Estado, o morno silêncio, o nojo e o beijinho no ombro como diria a espevitada funkeira.

Ora, se o Estado não abrir os olhos, a romaria de miseráveis continuará aumentando, aderindo e cedendo aos métodos do industrial da fé, e assim, estará consagrado em verde e amarelo, como tábua de salvação, seu procedimento de “rapa bolso” de quem não tem, com a devida leniência do Estado.

É necessário, pois, que os governos reflitam ou então se responsabilizem por esta situação, juntamente com os organismos fiscalizadores.

As autoridades, nesse passo, como se deflui, são grandes devedoras de ações vigorosas para afastar esse povo das garras desses impostores.

Ou se esmurra essa atitude passiva e dá um tranco nos argumentos desses hipócritas, ou do contrário, abraça a ave agourenta e pano de fundo de toda esta aflição, que é a dor deles.

Mas a dor maior, todos concordam, é de assistir covardes se imiscuindo de dar guarida àqueles que hoje, como ontem, continuam desamparados da sorte e do poder da autoridade.
Amém!

fonte: Rondonoticias

comentar

comments powered by Disqus

Ultimas Notícias