19/03/2017 14:20:45 - Atualizado em 20/03/2017 09:54:47

Carinho de chuva, abraço de mãe. - por Emerson Castro - Casa Civil

Carinho de chuva, abraço de mãe. - por Emerson Castro

Saio pela manhã, cedo.

Tempo fechado, cenho franzido.

Atividade física.

Resmungo.

Volto pra casa e sinto: pingo de chuva na pele.

Retorno 35 anos.

Menino olhando pro céu.

Abismado com a água que cai.

Mão pra fora da varanda, atento, com medo de ralho de mãe.

Sandália e short molhando, junto com o corpo miúdo que sai debaixo da proteção do telhado.

Massagem na testa, feita com centenas de dedos languidos, úmidos, que vem das nuvens.

Feliz, sinto o sabor do líquido que toca lábios, Lingua, e Dentes enquanto o sorriso se escancara.

Braços abertos, corro como louco, abraçando a chuva que cai.

Ao longe, trovões ribombam.

De dentro de casa, mãe chama, ameaçando uma palmada

- Olha o relâmpago menino! Já pra casa!!

Volto, com o sorriso resistindo a abandonar minha face.

Ela me espera com uma toalha aberta, jeito de meio-brava-meio-sorrindo.

Sabe que pro menino dela, tudo é aventura.

Conhece, como ninguém, a cria que gerou.

Guri com pés no chão e nuvens na cabeça.

Me abraça, aquecendo a pele, enxugando o corpo molhado.

Sorrio.

Prometo (minto) não sair na chuva de novo.

Me pede pra entrar em casa. Olho pra trás encarando a chuva, me despedindo mentalmente.

Amanhã eu volto...

Mão na maçaneta, abro a porta.

Cresci.

Ganhei 35 anos de novo.

Rosto marcado.

Entro em casa, pra beijar a testa dos filhos que acordam.

Olho pra trás, me despeço da chuva que cai lá fora.

Será que ainda tem o mesmo sabor?

Amanhã, quem sabe, eu confira.

Amanhã, quem sabe, eu volte...

O autor é chefe da Casa Civil do Governo de Rondônia.

fonte: Rondonoticias

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