22/07/2017 15:56:43 - Atualizado em 24/07/2017 08:29:56

CRÔNICA: ​Um país sem líderes e com motorista morto - Por Arimar Souza de Sá

UM PAÍS SEM LÍDERES E COM MOTORISTA MORTO

Por Arimar Souza de Sá

Na bruma fria, na lentidão pasmaceira da vida de uma nação falida na moral e nos bons costumes, observa-se a ausência inexplicável de lideranças. Vale dizer que o Brasil está sem timoneiros!

Nós, porém, cá dos fundos das matas amazônicas, que aborígenes somos, sabemos que maloca sem tuxaua, não é maloca, índios se dispersam pelas matas como aves de arribação e o tempo fecha.

A falta de chefe na aldeia, ainda que nos ínvios caminhos da floresta, deixa os seres humanos (índios e brancos) sem rumos e sem esperanças. Imagine abordo de um país da dimensão do Brasil, ainda em formação, submetido à vergasta histórica da não liderança?

Tudo porque, na fanfarra com a verba pública, pútridos, homens políticos, semelhantes a urubus, roubando, derreteram a vergonha nacional submetendo o país ao escárnio e à risada do mundo civilizado.

Nunca, em tempo algum, fomos tão pobres de ética como nesta quadra de “desgovernança”, onde homens, bem ou mal paridos, se transformaram em “bandos”: do Beira-mar”; Do Anísio no Rio de Janeiro; Bando do Lula; nas searas sindicalistas e nos movimentos dos sem terras e sem tetos. Bando do Temer, em Brasília e do Sérgio Cabral no Rio;. bando do Cunha, da Odebrecht, OAS e JBS; bando do Aécio e de mais uma centenas de outros. Como visto, perdemos assim, o legado histórico da unicidade nacional.

Neste imbróglio, não temos mais, sequer, uma bandeira da mesma cor. Bandeiras tantas, vermelhas, amarelas, já se levantaram em mastros improvisados na beira das estradas e, de foice nas mãos, badernaram, saquearam, destruíram até amostras científicas e ficou por isso mesmo.

Estamos como nos fins de uma guerra, quando para os vencidos, só os destroços e o sangue simbolizados em catedrais de desrespeito. Para os vencedores, delações premiadas, viagens para o exterior e tornozeleiras eletrônicas, quando tem.

O nosso estandarte, insígnia de uma Nação, hoje se “rotiniza”, na espessura que a mídia deseja, mostrando a putrefação de nossas vísceras e o descalabro de uma nação viciada nos crimes derivados da corrupção desenfreada tais como: formação de quadrilha que vingou, da corrupção ativa e passiva lastrou e haja nomenclaturas da literatura penal, para tipificar tanto crime e tanto ladrão.

De repente, parece que esta parte do planeta terra foi invadida pelos óvnis, seres de outras galáxias, sem compromisso com o pudor, com a vergonha e com a ética. É que rindo delas, como dizia Rui Barbosa, transformamo-nos em “sacripantas”, em vendilhões de templo submetidos à surra de Deus sem piedade.

Será mesmo que aqueles gatunos que foram pilhados pela Polícia Federal nos últimos tempos, levando para casa o cofre público, precisam de tornozeleiras eletrônicas?

Será que aquela ferramenta da moderna tecnologia do cárcere, apenas não reprime a dor de tantos, devido aos múltiplos desvios do erário e nada é reparado?

Ao sentir dos mais revoltados, eles mereceriam era uma coleira à moda lampião, com direito a desfile em praça pública, para servir de exemplo aos demais de gravata e as futuras gerações.

E, diante da Nação sangrando, assim, a perplexidade se assenta e fica pergunta, onde estão os nossos líderes para salvá-la, ou então regurgitá-la em canções inesquecíveis?

No passado, contra o arbítrio da redentora, (Revolução de Março de 1964), vários jovens agigantarem-se, Geraldo Vandré, Chico, Caetano e Gil, dentre outros, e se tornaram nossos ídolos, levantando bandeiras talhadas para lavar a alma do povo.

Hoje, no entanto, eles sumiram e, diante dessas desgraceiras gerais, ficamos sem paredes para carimbar, por isso, esse vazio de líderes.

Já não existem quartéis para a inspiração de Vandré: “Nos quartéis antigos eram ensinadas “antigas lições,
de morrer pela pátria e viver sem razão”. E nos de hoje ensinam o quê?
Na “Avenida” de Chico Buarque, no passado, passou um samba popular. No presente, passou também, por treze anos e desta vez, não foi só Carolina que não viu da janela. O próprio autor fez vistas grossas e não enxergou quando a banda passou fazendo um barulho ensurdecedor...

Na seara de Caetano, tudo também navegou em brancas nuvens. Vermelhos avançaram os sinais e exerceram seus podres poderes como quiseram e ele nem um pio. Todo mundo esperava que sua “estúpida" retórica soasse por mais de “zil” anos. E nada!

Gil, antes engajado, hoje nem quis alterar o conceito estético que o consagrou. Míope no presente, não esboçou nem vontade de andar com fé, pois a fé costuma “faiar”. Silencou!

Mas de carona, Petistas, Peemedebistas, Peesedebistas e outros “istas”, que não são “bestas” nem nada, “fizeram o carnaval”. Caetano nem sequer, aproveitou o mote de tudo o que sentia e fez uma música para valorizar a ironia, a anarquia na rebeldia do momento.

Como visto, há certo pessimismo dessa gente grande hoje, em lutar por um país que “putrificou-se”. Falar das traquinagens do Lula, do Temer, Do Dirceu, do Cunha e do Aécio não inspira nenhum artista, o palco esfriou e recolher-se às coxilhas é uma forma que todos eles elegeram para curtir a perplexidade ou a dor do nada, sem dizer nada.

Já não temos dor latente. Até mesmo um conceito filosófico que remete a dor como um prazer, diluiu-se no emaranhado de coisas ruins, desfalcando-nos de sentir e transformando-nos em estrume da nossa própria sorte.

O sério é que atônitos nos indagamos: para onde vamos? Que espécie de país vai sair após esta borrasca? O doente tem cura? Cadê o motorista?

Sem respostas, estamos invadidos de ira e repulsa. Perdemos a voz, a vez e o ouvido, e o que escutamos hoje, são apenas latidos dos cães da política ladrando ou uivando com dinheiro na cueca e o tilintar de algemas da polícia federal prendendo pulsos.

No governo, a compra escandalosa de votos para impedir a autorização para o encaminhamento da ação movida pelo procurador da República contra o Presidente Temer é a repetição de crimes hediondos dessa quadra de desespero.

Os índices do Ibope são as "melhores explicações" para justificar a tese de acefalia, (ausência de líderes), nos quais Lula, que segundo a força tarefa da Lava Jato, seria o maior gatuno das histórias modernas, aparece todo chamuscado, mas cotadíssimo para novamente se sentar na cadeira de Presidente da República. Onde chegamos?

Pelo visto, a ausência positiva de lideranças nos levará ao caos e assistiremos a primeira guerra civil neste país dividido
o em bandos. Tomara que não haja mortes, fome, sangue e choros.

Queira Deus, também, que não tenhamos cadáveres e valas enormes para abrigá-los, muito menos, estrangeiros ocupando o nosso território.

Por que se isso acontecer, terá havido destruições e ato contínuo, sucumbirão todos os ideais conquistados no secular tempo da República.

A coisa anda tão ruim, que já se fala até em Bolsonaro para Presidente, VIXE.

Se assim for, estaremos próximos da liberalidade!

Evidente que tudo pode acontecer. Por que estamos num ônibus, ladeira abaixo, sob o comando de um motorista morto.

Deus nos salve! AMÉM!

fonte: Rondonoticias

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