RONDONOTICIAS quinta-feira, 26 de novembro de 2020 - Criado em 11/10/2001

A Pandemia dos Conflitos e dos Egos Inflados - Arimar Souza de Sá

O vírus pegou todos de calças curtas: além de matar pessoas, está minando o inconsciente coletivo...


Publicada em: 17/04/2020 22:26:12 - Atualizado

CRÔNICA DE FIM DE SEMANA 

A PANDEMIA DOS CONFLITOS E DOS EGOS INFLADOS

- Arimar Souza de Sá

O mundo, hoje, vive às voltas com a praga do Coronavírus. O monstro invisível devasta a vida em todos os seus segmentos, e é notória a fragilidade humana diante dessa doença cruel, que não conhece classe social nem cor da pele.

O Sistema de Saúde brasileiro, todos sabem, é frágil e muito mais ainda agora, diante da demanda crescente de infectados pela doença e, também, pela falta de remédios e insumos necessários à sua prevenção e tratamento.

O vírus pegou todos de calças curtas: além de matar pessoas e infectar também a economia dos países, está minando o inconsciente coletivo.

Na gestão das incongruências, vai parindo outras pandemias – a dos conflitos de poder e a dos egos inflados e vaidosos, sedentos pelos holofotes midiáticos.

No tapetão, de olho na retomada da economia que rasteja, governadores e prefeitos baixam decretos ordenando a liturgia das coisas, mas suas decisões sobrevivem por horas, apenas.

Quer dizer, o cidadão sai de casa para ganhar o seu pão, amparado em decreto baixado pelo governador ou prefeito no dia anterior, e no meio do caminho é obrigado a voltar, pois descobre que um juiz, que passou a noite inteira acordado trabalhando no processo, sentenciou, lamentando, que o decreto editado por suas excelências, hoje não presta mais para nada.

Será que a justiça não está usurpando afazeres e legislando no vácuo deixado pela classe política?

Não estará havendo, hoje, uma queda de braço “do quem manda aqui sou eu”?

Decreto de prefeito e governador perdeu o seu valor, ou ainda serve para alguma coisa?

Ou então, todos nós, contribuintes, é que vivemos no império do desvalor?

Ora, o desejável seria que todos sentassem à mesa, no enfrentamento do mal, e unificassem sua linguagem, em nome das pessoas que não têm o discernimento necessário para entender o que significa uma “decisão insone”, cassando outra na madrugada.

Que tal procurarem ser sensatos e dar um tratamento mais higiênico à questão?

Porque, na plateia, os que têm renda fixa podem ficar em casa de pernas para o ar,  mas há aqueles que, sem opção, são obrigados a ir para as ruas buscar o pão nosso de cada dia e se defrontar com a peste.

O certo é, que noves-fora as brigas paroquiais, a coisa está feia e o mundo inteiro endoideceu.

O Presidente dos Estados Unidos pirou, e tomou carradas de decisões incongruentes. A Itália, hoje sem “pé” nem cabeça, está apodrecendo. A Espanha, a Inglaterra, Alemanha e França, do grupo dos sete, também tombaram ante a “invigilância” e, no descuido, o monstro vai solapando quem encontra no meio do caminho...

Por aqui, o ciúme se escondeu atrás de uma caneta azul e o tinteiro foi derramado na cabeça do ministro da saúde, que até ia bem, mas resolveu contentar o Fantástico e a Rede Globo e, portanto, descontentou o capitão insensato, teimoso e caiu.

E, enquanto a banda passa, estranhamente os asiáticos, que empreenderam a marcha para o mundo, já controlaram o monstro apocalíptico em seu país e, agora, esfregam as mãos vendo o tilintar de moedas de ouro – bilhões  de dólares – sujas de sangue e lágrimas, caindo nos seus cofres.

Essa grana toda vem, no atacado, da compra dos ativos de centenas de empresas ocidentais e, no varejo, da venda de máscaras, respiradores e outros insumos de proteção e tratamento individual da praga que eles próprios exportaram. Daqui a pouco, há quem duvide? – até vacinas milagrosas vão aparecer.

O certo é que o ocidente, proclamado pelos ganhos do capital e do trabalho, foi golpeado de forma contundente e penosa e se debate na pedra com mortes, gastos exorbitantes com saúde e perdas de empregos. Atingiram-lhe o coração e apagaram as luzes de seu caminho.

Também sem gerência e sem respeitar fronteiras, o monstro chegou ao Equador, e mortos já foram tantos que se juntam em montões de cadáveres para serem jogados como carniça nos porões da iniquidade humana.

A continuar assim, nesse puxa-encolhe, queira Deus não morram milhares, e outros milhares sucumbam nas trevas dos morros, das palafitas, nesse conflito mesquinho pelas migalhas do poder, e pelo ciúme que os holofotes proporcionam, com ou sem Coronavírus.

Enquanto eles brigam, o bicho doido está pernoitando nas mentes e o País, sem heranças econômicas, se debate por quem manda mais, ante a iminência da fome, do emprego e, do outro lado, a manutenção da vida.

Numa análise pessimista, Estado nenhum se desfolha: o que dá hoje, se recolhe amanhã. E o amanhã, estejam certos, se revelará no confisco da poupança que guardamos com tanto suor.

A pandemia dos conflitos está aí, a sobejar a trava de ações de tantos poderes – Estados, Municípios, União fracionada, onde estes entes, que deveriam existir apenas para atender as necessidades dos contribuintes, perderam a harmonia e não se beijam, e o vírus aproveita todos esses desencontros, gerando o desejo de se devorarem mais ainda, numa volúpia sem fim...

A hora é, então, de prosseguirmos nessa jornada de nos cuidarmos com respeito ao monstro, nada de "festas contagiantes", cada um na sua, tomando as precauções necessárias diante desta dor imensa, que faz brotar o medo, a falta de liberdade de ação e de movimentos.

E de partilhar, como der, a solidariedade operosa a quem precisa, cultivando a saúde da vida e  ouvindo a sabedoria do coração.

Que Deus nos proteja!

AMÉM


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