RONDONOTICIAS quarta-feira, 26 de setembro de 2018 - Criado em 11/10/2001

CRÔNICA DE FIM DE SEMANA: O NATAL DE ONTEM E HOJE Por Arimar Souza de Sá


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24/12/2017 12:24:08 - Atualizado

MENINO DEUS – CAETANO VELOSO

Menino Deus, um corpo azul-dourado.

Um porto alegre é bem mais que um seguro

Na rota das nossas viagens no escuro

Menino Deus, quando tua luz se acenda.

A minha voz comporá tua lenda

E por um momento haverá mais futuro do que jamais houve

Mas ouve a nossa harmonia...

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O NATAL DE ONTEM E HOJE

Por Arimar Souza de Sá

Salve o menino Deus travesso do tempo longe, em que eu, criança, via-te pelas frestas do Papai Noel com meus irmãos, no lampejar de luzes, pelas ruas, pelos casarões, no embalo do amor da minha infância.

Salve o menino Deus Travesso, Dourado, que hoje, adulto, vejo com mais freio, certa prudência e esplendor e nitidez do auge da minha maturidade.

Na infância, fulgurava em mim a brancura das estrelas e navegava sem pudor nos espaços fantásticos do infinito. Havia mais ternura e sem saber o porquê, um Deus grandão que protegia a todos e, na ventania da minha imaginação, não deixava ninguém sofrer e dava o norte das travessuras que eu vivia sem nenhuma culpa.

E tu menino Deus travesso, meu Jesus, falava-me de que o mundo pertencia a todos, que éramos todos bons , que a fome não existia e que os pobres seguiriam para o céu no trenó puxado pelas renas de nossa imaginação juvenil.

E que eu, tu, ele, nós ganharíamos presentes lindos no dia do teu nascimento, vindos do ártico, pelas mãos de papai Noel, um velhinho bom, de vermelhas roupas e barbas longas.

E o que aconteceu, Cristo das minhas travessuras, que crianças que entraram comigo no grande barco da vida e que tinham os mesmos sonhos que eu, hoje andam por aí perambulando nus. Nus de amor, de esperanças de carinhos e, em suas mesas, sem rabanadas natalinas, come-se apenas um pedaço de pão dormido, quando tem, no dia que viestes ao mundo?

Diz-me que tu não sabias Menino Deus Dourado, que à época, não havia crianças de ruas, sôfregas e desamparadas. E que no dia do teu nascimento se recolhiam nos cantos escuros... E que elas viam na hora da ceia luz e gritos de alegria, mas em seu derredor, ratos e baratas disputando com elas, estavam os tetos do mundo?

Aí me revejo no Natal de agora, não te vejo mais e reclamo: Menino Deus Travesso dos meus tempos de criança, onde estas? Aparece, Jesus faz o milagre do amor, tu que até pão já multiplicastes.

Vem, oh! Messias no treno dos aflitos, trazer a esperança, visto que ela se revela sempre atrasada.

Não deixas, menino travesso, que a paz se derreta nesse contemplar de números balísticos, quando as potências se digladiam.

Vem, Jesus meu, menino travesso, no dia do teu nascimento, estender as tuas mãos aos pequeninos que se amontoam nos guetos, nas palafitas, nos mangues e dá-lhes o Natal de amor, que me davas na infância.

Não deixes, Senhor, que os vermes da indiferença poluam os rios da vida, porque temos sede de quase tudo...

Falo de todas as nascentes, dos rios, dos ventres de nossas mulheres, sobretudo das que ainda apodrecem na defecção da pobreza e não se prestigiam com tua presença.

E, falando de ricos e pobres, que o natal não seja apenas um mergulho nas benesses, mas um marco de esperança para um país melhor, mais justo, e que todos, individualmente, sejamos visitados pelo papai Noel. Um velhinho que nos meus tempos de criança, parecia ser bem melhor.

UM NATAL FELIZ. FELICIDADES TANTAS, QUE NÃO CAIBAM NUM CESTO DO TAMANHO DO MUNDO.

AMÉM!


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