RONDONOTICIAS sexta-feira, 14 de agosto de 2020 - Criado em 11/10/2001

Crônica de Fim de Semana: A PANDEMIA, NÓS E OS ANIMAIS - Arimar Souza de Sá

Quem está tendo a experiência percebe que, quando vistos e tratados com carinho e amor, eles nos preenchem quase que por inteiro...


Publicada em: 04/07/2020 10:13:00 - Atualizado

CRÔNICA DE FIM DE SEMANA:

A PANDEMIA, NÓS E OS ANIMAIS

-Arimar Souza de Sá

Vivemos um momento atípico. O coronavírus chegou implacável, bagunçou nossa vida e os dias atuais têm sido cinzentos de aflição, com o avanço da doença.

Com manifestações externas cerceadas, para fugir do tédio e do vírus, nos vimos “obrigados” a criar alternativas, antes fora de nossas agendas diárias de expediente, para termos de volta o sorriso e a paz interior.

Uma delas, e um grande bálsamo, é a aproximação maior com a família e, a exemplo de nossas crianças, o estreitamento de laços no convívio com os animais de estimação – os “pets”, como são hoje conhecidos.

Quem está tendo a experiência percebe que, quando vistos e tratados com carinho e amor, eles nos preenchem quase que por inteiro, e o tempo que dedicarmos a essa relação, evita o contato com terceiros, indispensável à preservação da saúde e da vida, e nos torna mais humanos.

Ignorá-los, ou tratá-los com desprezo e desdém, como muitos fazem, mas ter como resposta um simples abanar de rabo, certamente é uma bofetada na cara e no egoísmo.

Não tem preço ver a alegria de um cãozinho ao nos receber na volta para casa. Por alguns instantes viramos crianças, revigorando as energias perdidas ao longo do dia, com têmpera no sol.

Quem tem sentimento sabe que os pequenos afagos que lhes dedicamos também nos transformam, ao vê-los pulando de alegria em nosso colo, como se quisessem agradecer o dia que se finda, na segurança de um lar que também é deles.

Os cães são assim, os cardeais na liturgia do amor, seja pela fidelidade, ou pelo carinho demonstrado quando são recebidos com bondade e respeito.

E o que dizer dos gatinhos? Como bons felinos, eles parece que guardam as carícias para entregar. A prova é o roçar de caudas em nossas pernas, como forma de expressão de seu bem querer. Ou ainda, quando nos fitam com seus olhinhos de sol e nos atingem, transformando os nossos braços e pernas em augusto espaço para ninar suas emoções.

Já os cães-guia são os olhos além do corpo, e as luzes de seus donos, na forma de celebrar amor e parceria. É a mais perfeita consagração de uma amizade, construída na morfologia de tijolos e almas, e que se fundem num só coração abençoado pela imagem de Deus, como se ele estivesse, pelo animal, reparando a deficiência na locomoção daquele ser.

No passado, quando crianças, de repente, do universo do nada, os bichos apareciam em nossos quintais. Na “Baixa da União”, onde nasci, eram pássaros de todas as cores e matizes, macacos, cotias e outros animais nativos. Logo eles, que se escondiam dos homens, chegavam para nos visitar, assim como se quisessem dizer, como estão as coisas? – e depois sumiam.

Se pararmos para pensar, e fizermos a “mea culpa”, os homens são grandes pintores e escultores da tragédia da vida animal na terra. Cá entre nós, sempre foram o “Coronavírus” na pele dos animais, na profanação da espécie, e muitos ainda desfilam por aí impunes.

Cansei de ver alguns dos meus conhecidos tornando-se predadores dos animais, matando alguma espécie e ainda se jactando nas rodas, após os massacres, esfregando as mãos e dizendo: fiz uma grande caçada!

Nos comensais era comum vê-los alardeando ter saboreado a carne de paca, de veado, de caititu, de anta e do emblemático tatu, que vive nas tocas, sem mobílias e nem janelas...

Mas quem diria! Em tempos de pandemia, em que estamos órfãos do bem mais precioso da vida, que é a liberdade, é exatamente com os animais que contamos como grandes aliados para aliviar nossa dor.

Um bom exemplo, é a forma como o desembargador Walter Valtenberg, fez em sua fazenda Don Enrique. Ele inovou no trato da criação de vacas leiteiras, contratando um profissional para tocar música clássica nos estábulos, conseguindo com isto obter o que ele chama de “vaquinhas felizes”. Na prática, animais mais dóceis, tranqüilos, e, por isto mesmo, muito mais produtivo.

Portanto, o tempo é de amor e união, e nunca de desesperança e maldades. Lembre-se, a tragédia é sua e não deles, que são irmãos da natureza.

E suas presenças, sob nossa proteção, indicam pelos seus olhinhos, a visita maior que é a de Deus, trazendo esperança da cura dessa peste, e promovendo assim, a sublimação da vida e do amor.

Salve a vida!

AMÉM!


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