18/11/2016 10:04:26 - Atualizado em 18/11/2016 10:11:36

Conclusão: Serei o primeiro da minha família a me formar, diz bolsista do Prouni

BRASIL: "Não acredito nem que consegui entrar na faculdade", diz Gerson Saldanha, aluno de relações internacionais que teve bolsa pelo Prouni

Gerson Saldanha, 26, está na correria para finalizar o seu trabalho de conclusão de curso. A tensão e a corrida contra o tempo o acompanham na busca pela entrega da "monografia perfeita". Quem já passou por isso --ou acompanhou de perto o processo-- sabe que o período é complicado. Apesar disso, o jovem nascido em Mesquita, região metropolitana do Rio de Janeiro, não tira o sorriso do rosto.

Logo mais, Saldanha vai comemorar a formatura em relações internacionais. Mais que isso. O jovem considera que vai materializar a conquista de toda sua família. "Vou ser o primeiro a se formar. Minha avó teve nove filhos e tem dez netos. Mas eu sou o único que vai concluir o ensino superior", disse, orgulhoso.

Chegar até aqui só foi possível por causa da própria teimosia e de um pouco de sorte, brinca o estudante. Depois estudar em escolas públicas, seguir carreira militar e ficar mais de três anos longe dos livros escolares, o jovem retomou os estudos para o vestibular e, em 2012, conseguiu obter uma média suficiente no Enem(Exame Nacional do Ensino Médio) para receber uma bolsa integral do Prouni (Programa Universidade para Todos).

"Acho que nunca ia desistir do meu sonho. Sou meio teimoso. Mas, se não fosse a bolsa, eu demoraria muito para entrar na faculdade. Consegui entrar já com 22 anos, imagina se tivesse que esperar ter dinheiro para pagar", comenta.

Saldanha foi aluno de escolas públicas durante toda a vida escolar e ouviu muito de seus pais que deveria persistir nos estudos. O pai trabalha há anos como pedreiro e só pôde estudar até a quinta série (hoje quarto ano) do ensino fundamental. Já a mãe, hoje dona de casa, trabalhou por anos como cuidadora de uma senhora do bairro, mas só estudou até o segundo ano do ensino médio.

"Quando era bem mais novo, não tinha muito talento com o futebol. Aí, minha mãe dizia: 'Se não tem talento para o futebol, vai estudar! Ser alguma coisa na vida'. Foi o que eu fiz", lembra o jovem, dando gargalhadas. "Meus pais sempre foram incentivadores. Eles diziam: 'Você vai ter que fazer faculdade, vamos estudar'. Se estou aqui hoje, é por causa deles. Minha mãe sempre foi aquele tipo que exigia o calendário de provas e pendurava na geladeira."

O incentivo mostrou resultado. Logo no primeiro ano do ensino médio --aos 15 anos--, Saldanha colocou na cabeça que precisaria fazer cursinho pré-vestibular se quisesse passar em uma universidade. Então se matriculou num curso comunitário oferecido pela igreja da região em que morava e começou a maratona de estudos. "Não sei se sou meio doido, mas sempre pensei muito na frente."

Depois de três longos anos de preparo, Saldanha não conseguiu ser aprovado. O fato de ter "tomado bomba" em todos os vestibulares em 2008, ao final do ensino médio --como Uerj, UFRJ, UFF-- fez com que ele visse na carreira militar uma oportunidade de poder contribuir com as contas de casa. O sonho de fazer faculdade estaria adiado, pelo menos por ora.

No mesmo ano, fez a prova da Marinha e passou. Morou no Espírito Santo por cerca de um ano e foi trabalhar num porta-aviões. Apesar de feliz no cargo e com um salário que conseguia ajudar os pais, a vontade de fazer relações internacionais não o largava. "Lá tinha uma galera da França e eu tentava falar inglês com eles. Achava massa."


comentar

comments powered by Disqus

Ultimas Notícias