02/08/2015 08:55:50 - Atualizado em 03/08/2015 11:33:47

​Professor Universitário e escritor, Marco Teixeira, faz uma análise da vida sócio política de Rondônia e do país. Critica o processo educacional e prega ação rígida dos poderes...

ENTREVISTA: Professor Universitário e escritor, Marco Teixeira, fala a respeito da vida sociopolítica de Porto Velho e do Estado

RONDONOTÍCIAS: Professor, o País vive às voltas com questiúnculas corruptivas e, de repente, já se ver o “príncipe” dos empreiteiros preso, que é o presidente da Odebresth. Em suma, como o senhor está acompanhando essa situação do ‘petrolão’ como cidadão?

MARCO TEIXEIRA: Nós vivemos um momento de enorme desalento da população, pela questão de conjunturas que se sobrepõem umas as outras. Não é que a corrupção esteja sendo mais combativa no momento. Parece-me, que a corrupção nunca foi tão ativa quanto a gente assiste, e que, por mais que se faça, você não consegue resolver esse problema. É claro que a ação do Juíz Sérgio Mouro, nessa questão do Petrolão, é muito positiva. Mas a população fica desalentada de ver, que nem uma ação tão forte, parece inibir os problemas. Vemos situações que, guardadas as devidas proporções, se reproduzem em todas as escalas, como é o caso do município, onde a gente assiste a CPI acerca dos Shows e do investimento público milionário, em atividades que não se explicam.

RONDONOTÍCIAS: Porto Velho é multifacetada de problemas. Não temos uma rodoviária boa, não temos um centro de eventos, não temos áreas de lazer, entre outros. A população fica a mercê de espasmos de obras que vão acontecendo. Além de amor a Porto Velho, o que falta aos representantes políticos para tratarem melhor a população?

MARCO TEIXEIRA: Acho que a questão não é a ideia de amor. A questão é governar com justiça e principalmente decência. Assumir o cargo e responder, efetivamente pelo bem estar da sociedade. Precisamos trabalhar o bem comum. A sociedade precisa alcançar um estado de satisfação, com os poderes e com a cidade em que vive. Não podemos continuar vivendo esse subdesenvolvimento crônico, essa ausência de civilização, que tem caracterizado o convívio dentro da cidade de Porto Velho.

RONDONOTÍCIAS: Há pouco tempo, em Itapuã, a população linchou um homem abusou de uma menina e, em seguida, matou o irmão dela que tentou ajuda-la. Qual a mensagem, a seu ver, que essa justiça feita com as próprias mãos deixou para as autoridades?

MARCO TEIXEIRA: A sociedade precisa de leis que garantam a sua proteção, e que também garantam que ela vai se sentir curada dos males que lhe afligem. Crimes como esse precisam de leis mais rígidas, que afastassem esses indivíduos do convívio social por muito mais tempo. A cadeia, por sua vez, precisa ser uma instituição humanizada, não pode ser simplesmente um depósito de indesejáveis que são tratados pior do se estivessem em um navio negreiro, de forma alguma. Por outro lado, a lei tem que garantir ao individuo que ele seja, pelo menos, compensado do ultraje sofrido, e quem compensa isso é o Estado, não pode ser o próprio cidadão a fazer justiça. O Estado fracassa nos dois sentidos, ele não pune como deveria punir, e não protege como deveria proteger.

RONDONOTÍCIAS: Essa barbárie que aconteceu é um grito de alerta da sociedade pela inação de quem deveria agir com rigor?

MARCO TEIXEIRA: Não. Não acho que seja um grito de alerta. Um grito de alerta se daria de uma forma mais organizada. Temos que lembrar que, não se pode aceitar, sob qualquer pretexto, o linchamento. Alguns casos, uma boa parte deles, acontecem por engano. Isso mostra que o Estado é ineficiente. Ele não garante nem a proteção do criminoso, nem a proteção da sociedade, que está cansada disso tudo.

RONDONOTÍCIAS: A solução dessa questão passa por que aspectos?

MARCO TEIXEIRA: A solução passa, em primeiro lugar por educação. Nós não avançamos socialmente sem educação. Em segundo lugar, tem que haver leis que assegurem que o Estado vai me representar no meu interesse, que mostre que a sociedade não está órfã de poderes.

RONDONOTÍCIAS: Professor, quando o senhor fala a respeito do aprimoramento do processo educacional, o senhor quer dizer o que no plano prático?

MARCO TEIXEIRA: Quero dizer que, mais do que criar instrução e escola para todos, a escola deve ser de qualidade e deve oferecer, acima de tudo, cidadania. Ao oferecer cidadania, eu pressuponho que além de dar o ambiente escolar, eu tenho que dar qualidade de vida ao povo. O povo que vive sujeito a todo tipo de violência cotidiana, transporte público como dado, ruas que parecem lixeiras, áreas habitacionais onde as pessoas disputam espaços com roedores, quer dizer, que expectativa de civilidade essa pessoa tem? Ao não oferece isso, eu retiro dele todos os pressupostos de convívio legal. Eu estou deixando essa pessoa a mercê da própria sorte, e ai, é a lei do mais forte, que é o que a gente tem assistido.

RONDONOTÍCIAS: O senhor vê mudanças nesse momento?

MARCO TEIXEIRA: Não tenho visto mudanças. Pelo contrário, tenho visto que estamos aprofundando os fundamentalismos, os fanatismos, as relações violentas, e isso precisa ser alterado. O único caminho para isso é educação de qualidade.

RONDONOTÍCIAS: Na esteira das suas colocações do professor, quando o senhor diz que o Estado tem que garantir o bem estar social, e a educação, enquanto isto não vem e a população está inquieta por essa omissão do estado, remediar seria o que?

MARCO TEIXEIRA: Remediar significa se organizar. Não pegar a justiça e fazer com as próprias mãos. Isso é barbárie, não estamos voltando ao tempo das fogueiras. Organizar e pressionar para que a mudança seja rápida, eu posso aceitar. Esse mesmo grupo que se organiza para um linchamento, precisa se organizar, ir à porta de uma prefeitura, à porta de uma assembleia, e exigir que a lei seja mudada, e o crime seja severamente mais punido, e que a punição, seja efetiva e garanta a reeducação.

RONDONOTÍCIAS: Qual é a sua opinião a respeito da classe política rondoniense? O que falta para a depuração do homem publico?

MARCO TEIXEIRA: Falta melhorarmos o sistema. Restringirmos as possibilidades de corrupção, porque são muitos, e, ao restringirmos as possibilidades, criarmos mecanismos severos de punição quando a corrupção acontecer, porque acontece em qualquer sistema, mesmo nos mais perfeitos. O nosso político não é pior nem melhor que os outros, ele vive ao sabor das circunstâncias que permitam que façam o que fazem.

RONDONOTÍCIAS: Ainda sobre esse assunto, quem são seus ídolos na política?

MARCO TEIXEIRA: Temos pessoas que merecem todo o respeito, historicamente, Ulisses Guimarães, que teve a possibilidade de se posicionar como se posicionou foi uma pessoa fantástica. O Itamar Franco, que passou por todas as esferas de poder, foi desde um grande prefeito até um grande presidente, é também uma pessoa que merece ser tratada com respeito. Mesmo na situação local, temos pessoas que são admiráveis.

RONDONOTÍCIAS: Aqui  em Rondônia, o senhor se sente representado pela classe política?

MARCO TEIXEIRA: Não, não me sinto. Acho que nossos políticos precisam fazer mais e precisam agir com mais sobriedade.

RONDONOTÍCIAS: E nesses caso, quando o cidadão Marco Teixeira, vota, ele vota baseado em que convicção?

MARCO TEIXEIRA: Voto com desalento. Mas eu voto com desalento, porque acredito que o modelo não favorece a representação.

RONDONOTÍCIAS: O voto tinha que ser facultativo?

MARCO TEIXEIRA: Sim.Se é um direito, porque sou obrigado a exercer? Deixa de ser um direito e vira um dever. Isso beneficia alguém.

RONDONOTÍCIAS: A seu ver, as corrupção em qualquer nível instalada no Estado de Rondônia, decorrem de que aspectos?

MARCO TEIXEIRA: Nós temos um problema de escândalos no Brasil. Rondônia é um reflexo do que é o Brasil. Como somos uma sociedade menor, o escândalo, aqui, toma proporção maior. Nós estamos em uma disputa pelo poder.

RONDONOTÍCIAS: Professor, muito obrigado pela entrevista.

MARCO TEIXEIRA: Eu é que agradeço a oportunidade. 

fonte: Rondonoticias

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