07/10/2015 11:33:59 - Atualizado em 07/10/2015 18:42:05

Professor Otacílio Moreira, mestre em Administração e graduado em Economia, fala sobre à vida econômica do Estado de Rondônia e do País

ENTREVISTA COM O PROFESSOR OTACÍLIO MOREIRA DE CARVALHO, MESTRE EM ADMINISTRAÇÃO, GRADUADO EM ECONOMIA, FALANDO DE ASSUNTOS RELACIONADOS À VIDA ECONÔMICA DE RONDÔNIA E DO PAÍS EM MEIO A CRISE


RONDONOTÍCIAS: Professor, acerca de dois meses, nós o entrevistamos, e falávamos de um cenário ainda penumbroso, sem saber como ia se estabelecer, em Rondônia, relativamente a crise financeira do País. Segundo o secretário de planejamento de RO, o Estado está no azul, sobretudo no que diz respeito ao limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal. Da análise desses dois meses atrás para cá, o que mudou?

OTACÍLIO MOREIRA: Bom, vamos falar de Rondônia. O Estado arrecadou mais do que gastou. Tínhamos o efeito das usinas e de outros investimentos, públicos e privados, com arrecadação boa e controlando as contas, fechando 2014 no azul e com potencial para fechar 2015 também no azul. O que acontece, é que a crise vem chegando ao mercado privado, e também ao setor público federal.

RONDONOTÍCIAS: Para quem não sabe, o que significa manter em dia as contas publicas?

OTACÍLIO MOREIRA: O governo do Estado, tem várias formas de arrecadação, via tributos e repasses do governo federal, e tem todas as despesas para manter a maquina publica funcionando. Todos os Estados, têm dívidas passadas. Aqui, por exemplo, temos uma muito grande do BERON, a extinta CERON, que foi federalizada, entre outras, então, estes passivos, compõem um conjunto, salvo engano, em torno de R$ 600 bi. Ou seja, o Estado, a partir da Lei de Responsabilidade Fiscal, tem que arrecadar e fazer um contingente, para gerar uma economia e pagar as dívidas.

RONDONOTÍCIAS: Professor, quando acontece, por exemplo, de o Estado arrecadar 10 x, e gastar 20 x, esse déficit é computado como na contabilidade das finanças públicas?

OTACÍLIO MOREIRA: O governo terá que fazer alguma medida para sanar essa dívida, como contrair divida com a própria população, buscar aumentar a arrecadação tributária, entre outras coisas. Geralmente, quando se adquire uma divida em um ano, o governo busca sanar no ano seguinte. Nós temos agora uma crise de mercado e uma crise de Estado, as vendas estão caindo e tudo isso gera um efeito cascata, por isso que a crise tende a se agravar.

RONDONOTÍCIAS: A crise está espraiada em todos os setores da vida humana?

OTACÍLIO MOREIRA: O que ocorre, é que o governo, já buscando ajustes, vem reduzindo repasses para os órgãos federais. Então, por exemplo, está faltando recurso para um servidor federal fazer uma viagem inerente ao trabalho, para comprar material de expediente, como papel ou copo descartável. Isso, de forma direta, afeta o mercado local. O governo federal transmite a problemática federal para o estado, o estado e município passam a cortar despesas também. Vira uma “bola de neve”, o dinheiro deixa de circular e acaba afetando a expectativa do consumidor.

RONDONOTÍCIAS: Onde está o nascedouro da crise e como se regula?

OTACÍLIO MOREIRA: Nós temos professores e acadêmicos que foram participar do Congresso Brasileiro de Economia em Curitiba, recentemente, e todos foram unanimes. Em primeiro, o governo perdeu um pouco o rumo das coisas, passou a gastar efetivamente mais. A crise nasce no Brasil. Lógico que a crise externa afeta o País, mas a crise é interna, e começa desde 2005-2006, na busca do poder. Em 2007 e 2008 houve uma crise forte americana, onde o governo acabou por reduzir tributos e juros, para dar um ânimo a economia brasileira. Acontece que seguraram muito essa política, até meados de 2012, enquanto outros países desistiram desse modelo em 2010. O Brasil só fez mudanças em 2012. O governo federal transferiu uma divida externa, por um divida interna, e muita elevada. Quando você tem uma divida externa, e tem dificuldade de pagar, você pede ajuda do FMI. Como nós trocamos a divida externa, não temos a quem recorrer.

RONDONOTÍCIAS: Apertar o cinco, nas contas publicas, significa o que?

OTACÍLIO MOREIRA: Significa cortar das contas publicas tudo o que for gerar efeito negativo na sociedade. Por exemplo, o horário corrido, que foi criado para economizar luz, energia, telefone, na época do FHC.

RONDONOTÍCIAS: Quais áreas mais afetadas em Rondônia com a crise econômica?

OTACÍLIO MOREIRA: Algumas das produções do setor do agronegócio estão em queda. A política de crédito para a produção é difícil e o problema começou a surgir.

RONDONOTÍCIAS: Professor, a respeito de uma possível criação da CPMF, como afetaria a vida das pessoas?

OTACÍLIO MOREIRA: Afeta duplamente, é bitributação. Todos os trabalhadores recebem o seu salário no banco, não existe mais a pessoa ‘tesoureiro’, então, obrigatoriamente, todos vão pagar o CPMF. Além disso, tem os outros tributos, então a CPMF já se mostrou ser um tributo amargo para a população. Apesar de 0,2% ou 0,38% parecer um valor baixo, não é, é um valor enganatório, por isso o governo vem com esse discurso tentando implantar o tributo. E mais, já é comprovado que a cobrança e a gestão da CPMF custa muito caro ao governo, ela é tributo mais baixo e ao mesmo tampo mais caro de se cobrar. Ou seja, é um tributo inviável, muito dinheiro vai na gestão e controle dele.

RONDONOTÍCIAS: Para gerar a CPMF há um custo muito alto?

OTACÍLIO MOREIRA: Exatamente.

RONDONOTÍCIAS: Professor, o senhor acha que as greves, nesse momento de crise, são incompatíveis com à prudência que deveriam ter os sindicatos?

OTACÍLIO MOREIRA: Acho que não. Lamentavelmente as greves são necessárias. Esse ano nós teremos uma inflação de mais de 10 %. O governo vai para o funcionalismo, promete, tenta entrar em um acordo de aumento que já era baixo, de pouco mais de 20 %, e nada acontece. A greve não pede aumento, pede reposição salarial. Como eu posso ter um aumento de 5 % se só a inflação desse ano vai ser 10%? Além das perdas históricas atrasadas, que até 2014 somavam mais de 28 %. Nada disso foi reajustado.

RONDONOTÍCIAS: Professor, obrigado pela entrevista.

OTACÍLIO MOREIRA: Obrigado pela oportunidade, estou sempre disposto a esclarecer para a população sobre atual situação financeira do nosso País e Estado.

fonte: Rondonoticias

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