19/11/2015 18:37:25 - Atualizado em 19/11/2015 23:58:06

Nesta entrevista, o professor e antropólogo Adilson Siqueira, faz um balanço dos acontecimentos de Porto Velho, critica o modelo de educação do país e defende mais consciência política ao povo...

ENTREVISTA: O professor universitário e antropólogo, Adilson Siqueira, faz um balanço dos últimos acontecimentos em Porto Velho, e no Brasil

RONDONOTICIAS: Professor, a superlotação do João Paulo II, tem provocado uma outra tragédia. As macas com doente entram e por falta de leito a ambulância tem que ficar esperando até desocupar um lugar. Por conseguinte, quem precisa de atendimento concomitantemente, depara-se com o SAMU parado, a espera de macas disponíveis. Qual a sua opinião sobre essa situação?

ADILSON SIQUEIRA: Tenho acompanhado essa situação e acho que uma coisa puxa a outra. Quando a gente fala na saúde publica, temos que agregar outros elementos, como a segurança, que está relacionada com a questão do trânsito, então, faltando segurança publica, e eu não estou falando de polícia, não temos uma cidade planejada. Hoje a cidade de Porto Velho não comporta tantos carros, acarretando em vários acidentes. Está tudo interligado. Precisamos implantar o SUS no Brasil. O SUS que existe não funciona, por não ser aplicado de forma correta. A meu ver, para resolver essa situação, teríamos que investir em uma saúde preventiva, para que essa demanda no hospital diminuísse.

RONDONOTICIAS: Professor, a política carcerária não vem agradando nem aos internos, nem a sua excelência, o contribuinte que banca esse sistema. Muitas rebeliões vêm acontecendo na nossa região. O que o senhor tem a dizer sobre isto?

ADILSON SIQUEIRA: Esse é assunto gravíssimo. Ao longo da história, pelo menos ocidental, o cárcere foi construído não para ressocializar as pessoas, mas para fazer com que as pessoas sintam dor. De primeiro, faziam-se punições em praças publicas. Com o tempo, a discussão dos direitos humanos foi travando a questão da ressocialização. É importante a gente discutir a causa, por que uma pessoa vai para o presídio? Ela nasceu mal? Não, ninguém nasce mal. A sociedade, hoje, tira as oportunidades das pessoas. Você tem uma sociedade de classes no Brasil, onde a riqueza produzida pela população fica na mão de poucos, não é distribuída como forma de benefícios públicos.

RONDONOTICIAS: A solução seria gestar com um novo modelo de educação. Que modelo seria esse?

ADILSON SIQUEIRA: Perfeito. É nesse debate que temos que entrar. Não podemos discutir o preso como um ser humano mal. “Ah, ele mal. Vamos deixar ele la”, não, não é um lugar adequado para ressocialização. O Estado é responsável por essa pessoa. No momento em que o individuo é preso, teria que haver uma equipe preparada para trata-lo e educa-lo para viver em sociedade, e isso não acontece. Por que não investir aqui fora? É irresponsabilidade do gestor e do sistema, que está falido. Precisamos desenhar uma nova sociedade, do jeito que está não há futuro.

RONDONOTICIAS: Nesse aspecto, pode se ter a esperança de melhora a curto prazo?

ADILSON SIQUEIRA: Esse País, é um lugar rico. Temos um potencial muito grande e um povo trabalhador. Não podemos comparar a cultura popular com a corrupção, ou falta de gestão publica. Infelizmente, temos um sistema de que, quem não tiver dinheiro, não se elege. A pessoa pode ser a melhor do mundo, mas sem condições econômicas, não se elege. Temos que, mais uma vez, investir na educação desse País. Precisamos dar consciência política esse povo.

RONDONOTICIAS: Discute-se hoje no parlamento federal, a recriação da CPMF. A respeito, criar mais um imposto, diante de uma carga criminosa de impostos que já se administra, é outro crime, qual a sua opinião?

ADILSON SIQUEIRA: Com certeza. Nós já tivemos essa experiência. A CPMF não é só para cheque. Na hora que você movimenta o seu salário, você já ta pagando. Quer dizer, há corrupção no governo, há desvio de recurso, mas quem paga sou eu, que sou assalariado, que sou servidor publico. Quem é servidor publico, desconta na fonte, é compulsoriamente. É necessário que nós tenhamos, no congresso nacional, debates e ações para que a situação seja realmente resolvida. E nesse momento, eles só vão agir se a sociedade se mobilizar.

RONDONOTICIAS: Professor, obrigado pela entrevista.

ADILSON SIQUEIRA: Eu que agradeço. Obrigado por permitir a livre expressão de opinião e indignação.

fonte: Rondonoticias

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