30/12/2015 11:15:31 - Atualizado em 30/12/2015 15:22:46

​Entrevista com o Professor e historiador e analista político, Francisco Matias. Ele traça um panorama da política nacional e de Rondônia, sobretudo dos rumos de 2.016, nas esferas de poder...

Entrevista com o Professor e historiador Francisco Matias, fazendo um panorama da política nacional e de Rondônia

RONDONOTÍCIAS: Os governantes, tanto do Estado, quanto do município, passaram por roda de fogo, neste ano de 2.015. A seu ver, eles saíram chamuscados ou conseguiram passarem ilesos?

FRANCISCO MATIAS: Essa pergunta é muito importante para o momento em que o Brasil vive. Toda a população está com o mesmo dilema. Tanto o governador Confúcio Moura, como o prefeito Mauro Nazif, na Operação PLATÉIA, MURÍDEOS, e outras que tiveram no Estado, saíram chamuscados. Chamuscados e com rastros deixados na Polícia Federal. Ainda há possibilidade de terem que responder a justiça por essas operações. Ninguém é conduzido coercitivamente pela Polícia e sai ileso.

RONDONOTÍCIAS: Essa história ainda merece consideração dos supostos envolvidos?

FRANCISCO MATIAS: Acho que devido a pressão nacional, parece estar esfriando o assunto, mas não está. O problema da investigação policial federal, é que ela ocorre silenciosamente, principalmente quando envolve autoridades. Não pode estar sendo exposta a todo o momento. Creio que ainda há muita coisa para sair ‘debaixo da ponte do Rio Madeira’.

RONDONOTÍCIAS: Professor, e o interior do Estado? Vários prefeitos envolvidos em escândalos fraudulentos, de corrupção, entre outros. O que está acontecendo?

FRANCISCO MATIAS: Se você pegar do Candeias do Jamari, passar por Jaru, Ouro Preto do Oeste, Cacoal, Vilhena, Vale do Guaporé, você vai encontrar vários prefeitos nesse quadrilátero de envolvimento ilícitos, com problemas envolvendo polícia. Prefeitos que em vez de terem biografias, têm prontuários. Há uma gravidade imensa nisso. Faltam ideais políticos, faltam envolvimentos administrativos, falta cuidado com a coisa pública.

RONDONOTÍCIAS: Todos esses problemas fragilizam os políticos? O descrédito da população aumenta?

FRANCISCO MATIAS: Escândalos ocorreram no Brasil inteiro, há uma desconexão da política com o povo. É como se o polícia não tivesse ligação com o povo. Fragiliza tanto os políticos quanto os partidos políticos, e pior, fragiliza o ideal de patriotismo e de amor ao Estado. Quem nos representa é o político, se nós somos mal representados, teremos como retorno disso um pensamento negativo da vida política, principalmente com a juventude.

RONDONOTÍCIAS: O prefeito Mauro Nazif se lançará à reeleição. Como o senhor enxerga essa situação?

FRANCISCO MATIAS: Ainda há muito o que se avaliar. A impressão que temos, é que o Mauro vive em um município, e a população em outro. Eu gostaria de morar no município que o Nazif mora. Esse município em que eu moro, ele até vai sair candidato à reeleição, mas ele terá que provar até o último dia que merece se reeleger, por enquanto, nada foi provado.

RONDONOTÍCIAS: Qual análise que o senhor faz do País neste final de ano?

FRANCISCO MATIAS: Resume-se em: O PT é o partido que surgiu como a ‘tabua de salvação’ do Brasil, mas foi, silenciosamente, contra a educação moral e cívica do País, tirou isso da educação dos jovens. Eles foram contra o cinto de segurança, contra o presidencialismo, contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, contra o hino nacional, resumindo, o PT foi contra o Brasil. Hoje a população está acordando para todos esses acontecimentos e ficando contra o partido. Eles apenas estão provando do veneno que espalharam pelo País. Fora as outras instituições políticas também envolvidas em corrupções por ai.

RONDONOTÍCIAS: Professor, o senhor teme pela volta do militarismo? Há essa preocupação pela fragilidade da política nacional?

FRANCISCO MATIAS: O PT trouxe para o Brasil a ideia de o golpe militar de 1964 foi, injustificadamente, causada pelos militares, e não foi. O golpe militar se deu porque a igreja católica chamou, porque a FIESP chamou. Hoje, os militares não têm mais moral para isso. Quem tem condições de organizar uma grande revolta no País é o PT, com o MST, movimentos rurais e outros.

RONDONOTÍCIAS: O senhor ainda acredita que essa situação em que o país vive hoje, possa melhorar em curto prazo?

FRANCISCO MATIAS: O Brasil é maior do que qualquer partido político. A nação não pode fazer o jogo da esquerda, nem da direita. Temos que fazer o jogo do Brasil. Acredito que nossa população de trabalhadores não deixarão o País afundar.

RONDONOTÍCIAS: Alguns partidos já começam a ‘dança’ de filiações e preparos para as eleições de 2016. Qual a sua leitura dos candidatos que estão se jogando nesse primeiro momento?

FRANCISCO MATIAS: O quadro ainda é muito indefinido. O Mauro Nazif, apesar da crítica que fiz no início, reconheço um certo trabalho trabalho de asfaltamento, um trabalho cultural interessante e bem feito, só tem um problema, ele não está aparecendo. O prefeito esquece de juntar o trabalho a figura política dele, e isso pode ser um grande risco de obra bem feita, mas sem retorno político eleitoral. ‘O que não é visto, não é lembrado’. Ele tem que se preocupar com isso. Para mim, a perspectiva de eleição se dará em dois turnos, e acredito que o Mauro estará no segundo, não sei se em primeiro ou segundo lugar, não temos candidatos.

RONDONOTÍCIAS: Se comenta o surgimento de novas candidaturas, como Mariana Carvalho, Lindomar Garçon e o Secretário Pimentel. A seu ver, quem tem mais chance de vencer a atual administração?

FRANCISCO MATIAS: Só vencerá o Mauro quem tiver novidade em sua campanha. Por enquanto, a novidade é a Mariana, mas ela aparenta uma fragilidade política é o que comentam. Mas, pode ser que na campanha ela se perca entre o novo e a novidade e se anule. Tudo pode mudar até o final das campanhas. Neste momento, ainda creio ser prematuro qualquer palpite.

RONDONOTÍCIAS: Professor, obrigado pela entrevista

FRANCISCO MATIAS: Agradeço pela oportunidade e me coloco à disposição sempre que me chamarem.

fonte: Rondonoticias

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