RONDONOTICIAS terça-feira, 18 de dezembro de 2018 - Criado em 11/10/2001

Turquia investiga se jornalista desaparecido foi morto em consulado

Autoridades turcas acreditam que o jornalista Jamal Khashoggi, proeminente crítico de Riad, foi morto após entrar no consulado


Notícias ao Minuto

08/10/2018 10:59:17 - Atualizado


Turquia pediu permissão para efetuar buscas no consulado da Arábia Saudita em Istambul para investigar se um jornalista saudita que está desaparecido foi morto no interior do edifício, afirmou o canal NTV nesta segunda-feira (8).

Autoridades turcas acreditam que o jornalista Jamal Khashoggi, proeminente crítico de Riad, foi morto após entrar no consulado para buscar uma documentação na semana passada, disseram fontes a agências de notícias. A Arábia Saudita nega.

Khashoggi, ex-editor de jornal e consultor do ex-chefe de inteligência de seu país, foi para a Turquia no ano passado dizendo temer uma retaliação por suas crescentes críticas à política saudita na guerra do Iêmen e à repressão às divergências.

Na terça-feira (2), ele entrou no consulado saudita em Istambul para obter documentos para seu futuro casamento. Autoridades sauditas dizem que ele deixou o prédio pouco depois, mas sua noiva, que estava esperando do lado de fora, afirma que ele nunca saiu.

"A avaliação inicial da polícia turca é que Khashoggi foi morto no consulado da Arábia Saudita em Istambul. Acreditamos que o assassinato foi premeditado e o corpo foi posteriormente retirado do consulado", disse um dos dois funcionários turcos à Reuters, no sábado (6).

Yasin Aktay, um dos assessores do presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, disse que as autoridades tinham informações concretas sobre o caso de Khashoggi, e ele acredita que o jornalista foi morto no consulado.O embaixador saudita na Turquia foi convocado por Ancara na quarta-feira. Um inquérito judicial também foi aberto.

No domingo, Erdogan afirmou que espera os resultados da investigação. "Estou acompanhando o assunto e seja qual for resultado, comunicaremos ao mundo", declarou à imprensa. "Mas tenho esperança", acrescentou.

Uma fonte saudita no consulado negou que Khashoggi tenha sido morto no local e disse em um comunicado que as acusações eram infundadas.Em uma entrevista à agência Bloomberg na sexta-feira, o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman disse que Jamal Khashoggi realmente "entrou" no consulado, mas partiu logo em seguida. Ele convidou as autoridades turcas a "procurar" no consulado."Não temos nada a esconder".

"Estou à espera de uma confirmação oficial do governo turco para acreditar", escreveu no Twitter a noiva turca do jornalista, Hatice Cengiz.

"Ele foi ao consulado com hora marcada, então eles sabiam quando ele estaria lá", explicou à AFP um jornalista próximo, Yasin Aktay, também uma figura do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, no poder).

"Ele ligou para o consulado um pouco antes para ver se seus documentos estavam prontos, eles disseram 'sim, estão prontos, você pode vir'", acrescentou ele.

"Seus amigos o alertaram, falaram que era melhor que ele não fosse, porque não era seguro. Mas ele estava confiante de que tal coisa era impossível na Turquia", acrescentou Aktay. 


Os comentários são via Facebook, e é preciso estar logado para comentar. Os comentários são inteiramente de sua responsabilidade.