RONDONOTICIAS segunda-feira, 21 de outubro de 2019 - Criado em 11/10/2001

Jovem que matou ex-esposa é condenado a mais de 26 anos de prisão


Folha do Sul

08/10/2019 15:28:07 - Atualizado



CHUPINGUAIA - Na última sessão de julgamento da Terceira Reunião do Tribunal do Júri de 2019, os jurados analisaram um dos casos de maior repercussão dos últimos anos no estado: o assassinato da jovem Anna Karolyne dos Santos, de apenas 19 anos. Anna foi morta pelo ex-marido com quem tinha uma filha de apenas 1 ano e 10 meses.   
 
Anna foi morta dentro do seu apartamento no Centro de Chupinguaia, onde ela morava desde a separação. Segundo os laudos periciais, a causa da morte foi asfixia por estrangulamento e cortes na região do pescoço que causaram o rompimento da jugular.  Além de apresentar cortes em outras partes do corpo.
 
As investigações apontaram que Luan Wudarski do Nascimento, de 23 anos, ex-marido de Anna, foi quem a matou. Ele se apresentou dias depois à polícia, confessou o crime alegando legítima defesa, e foi liberado.
 
Dias depois, a justiça expediu mandado de prisão. Mas, ele já não foi mais encontrado em Chupinguaia. Pouco mais de dois meses depois do crime, Luan se entregou a polícia na cidade de Alto Garças, no Mato Grosso.
 
Luan foi denunciado por homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, uso de meio cruel e feminicídio, já que o crime foi praticado em situação de violência doméstica. A denúncia trouxe ainda uma causa de aumento de pena de pelo crime ter sido cometido na presença de descendente, no caso, a filha de 1 anos e 10 meses.
 
O Promotor de Justiça, João Paulo Lopes, pediu a condenação do réu nos exatos termos da denúncia. “Ele agiu de forma covarde e cruel e não em contexto de legítima defesa, como quer fazer crer”, disse Lopes após ler um trecho do laudo da perícia que explica a causa da morte.
 
O advogado de Luan, Marco Aurélio Rodrigues Mancuso, trouxe como tese de defesa, o pedido de exclusão das qualificadoras. Ele argumentou que Luan estava embriagado, e por tanto não tinha plena consciência do que fazia. Sobre a causa de aumento de pena, Mancuso disse que a criança estava dormindo e que, portanto, não tinha consciência do que acontecia naquele momento. “Como aceitar que uma pessoa que está inconsciente, dormindo, tenha consciência do que estava acontecendo?”, questionou.
 
Ele falou ainda sobre o fato de Luan ter se apresentado. “Ele se apresentou porque tinha a consciência pesada, porque sentia falta da mulher que amava e matou em um momento de inconsciência”, disse.
 
Ao final da fala da defesa, sem réplica por parte do MP, os jurados foram para a sala secreta para votarem uma série de sete quesitos. A decisão foi a condenação do réu por homicídio triplamente qualificado e com o reconhecimento da causa de aumento de pena.
 
Após a leitura da decisão dos jurados, a Juíza Liliane Pegoraro Bilharva, dosou a pena do réu, que está preso em Rondonópolis-MT e não veio ao julgamento, em 26 anos e 8 meses de prisão, e negou ao réu o direito de recorrer em liberdade.
 
O advogado disse após o julgamento que irá recorrer.


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