RONDONOTICIAS quarta-feira, 17 de julho de 2019 - Criado em 11/10/2001

Testes rápidos permitem o tratamento precoce das hepatites


Secom

05/02/2019 12:00:50 - Atualizado

PORTO VELHO RO - Com muitos registros de casos de hepatites onde não há manifestação de sintomas latentes, a Agência Estadual de Vigilância em Saúde (Agevisa) orienta sobre o tratamento precoce mediante diagnóstico com teste rápido realizado gratuitamente em todas as unidades básicas de saúde. Programas de vigilância na utilização da água são fortalecidos e auxiliam no combate à proliferação do vírus da doença.

A hepatite viral é uma infecção do fígado, com sinais e sintomas decorrentes da distribuição celular, provenientes de um grupo de vírus definidos cientificamente por A, B, C, D e E. Clinicamente, são doenças semelhantes, mas com particularidades próprias por sua magnitude regional. Os sintomas mais importantes são a icterícia, urina escura e fezes claras, mas os mais comuns são vômitos, dores abdominais, febre e diarreia.

O tipo mais registrado em Rondônia é Hepatite B, onde foram confirmados pelo Laboratório Central de Saúde Pública de Rondônia (Lacen) 490 casos em 2018. Considerada uma doença sexualmente transmissível, sendo a principal via de contágio sexual, também pode ser transmitida por via sanguínea, com compartilhamento de seringas, em acidentes ocupacionais, e transmissão vertical (da mãe para o bebê). A vigilância sanitária trabalha com ações específicas em locais propícios, como salões de beleza e estúdios de tatuagem. E, a Agevisa capacita e fiscaliza, cobrando procedimentos nos serviços de esterilização de materiais.

Nos casos de hepatite B, há possibilidade de agravo da doença em até 20% das pessoas contaminadas, onde pode evoluir para uma cirrose ou carcinoma hepatocelular (tumor maligno que origina metástase, acometimento em outros órgãos), mas tem tratamento com medicação. A vacina, maior arma de prevenção, é destinada em três doses para toda a população, independente da faixa etária. “Nossa cobertura de vacinação em crianças é de 95%, atendendo à solicitação da Organização Mundial de Saúde”, acrescentou a gerente técnica de vigilância epidemiológica, Arlete Baldez, devido os casos em crianças evoluírem para agravos crônicos na maioria dos casos.

A coordenadora de hepatites virais, Stella Maris Pessoa Garcia, alerta para a atenção no início do pré-natal, onde a gestante deve passar por exames de teste rápido, para verificar hepatite B e C, Sífilis e Aids. Dependendo do resultado é solicitada a sorologia e verificação de infecção, para que a criança não nasça com o vírus, importando que até ao final da gestação sejam realizados testes para que se comprove a inexistência da doença.

O Estado registrou em menores números mais dois tipos da doença. A Hepatite A, com 22 casos confirmados em 2018; e a Hepatite C, com 167 casos confirmados no último ano. A contaminação do vírus tipo A é via fecal e oral, transmitido por água e alimentos contaminados, onde a maior ocorrência de casos se dá em locais com saneamento básico precário e higiene sanitária deficiente, e a maior incidência em crianças, menores de 14 anos. Essa hepatite é considerada uma doença benigna, onde não tem agravo crônico, mas em 1% dos casos, pode ocorrer hepatite fulminante em idosos.

“A maioria dos casos da doença são assintomáticos ou oligossintomático, com poucos sintomas, sem icterícia. Com isso, a pessoa só descobre que foi exposta ao vírus, por meio de exame de sangue”, explicou Arlete.

As vacinas são disponibilizadas em todas as unidades básicas de saúde desde 2015 para crianças até 2 anos ou pacientes com indicação, como problemas hepáticos. E, exige cuidados básicos como repouso e alimentação sem gordura, pois estimula o vômito.

Hepatite com alto grau de agravo crônico em até 90% das pessoas acometidas, o vírus tipo C começa a apresentar sintomas na faixa etária de 40 anos, sendo o transplante hepático a principal indicação de tratamento no mundo. Nesses cacos, o paciente é tratado no Centro de Pesquisa em Medicina Tropical (Cepem), anexo ao Cemetron (Centro de Medicina Tropical). “A proposta do ministério da Saúde é eliminar a Hepatite C como problema de saúde pública até 2030”, salientou a gerente técnica. Para isso, os testes rápidos são as armas de combate ao vírus, pois detectam com precocidade a condição, possibilitando o tratamento com arsenal terapêutico de potencial elevado, com mínimos efeitos colaterais e 90% de cura, disponível por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

Mais dois tipos do vírus da Hepatite também foram registrados em Rondônia nos últimos dois anos, mas com manifestações restritas. O tipo D, chamado Delta, e conhecido popularmente como “febre negra de Lábrea”, é uma associação com o tipo B, onde sozinho não consegue se multiplicar, sendo a vacina contra a Hepatite B a forma de evitar a infecção. Em 2018 foram registrados 13 casos confirmados. E a Hepatite E, que é similar ao tipo A, mais comum em gestantes, mas segundo as pesquisas atuais, pouco registrada em Rondônia, com apenas 1 caso em 2017 e nenhum registro em 2018.

Como fortalecimento ao combate das hepatites, a Agevisa conta com um programa chamado ‘Vigilância da qualidade da água de consumo humano’, onde todos os municípios têm a competência de realizar coleta de amostras de água conforme a sua população, em diversos pontos críticos com grande movimentação de pessoas, principalmente na saída do reservatório geral da cidade, e a distribuidora de água também realiza as mesmas coletas, assim verificando a satisfação da água. Se a água apresentar inadequação, a distribuidora apresenta as medidas a serem tomadas para regularizar o fornecimento ideal. E a vigilância sanitária atua com a fiscalização nas fontes de água mineral, e também nas alternativas indiretas, como os poços artesianos.


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