RONDONOTICIAS domingo, 16 de junho de 2019 - Criado em 11/10/2001

Ansiedade, depressão, estresse e bullying podem levar ao suicídio, diz especialista

Segundo Wilma Pereira, dados da OMS mostram que em 2020, a depressão será considerada uma das doenças mais significativas para a humanidade


Jaqueline Alencar / Rondonoticias

30/05/2019 11:49:09 - Atualizado

PORTO VELHO RO - O Programa a Voz do Povo, apresentado pelo jornalista e advogado Arimar de Souza Sá ao vivo de segunda-feira à sexta-feira do meio-dia às 13 horas na capital em pela Rádio Caiari 103,1 e pela Antena FM em Rede Estadual, recebeu nessa quarta-feira (29), a enfermeira Wilma Pereira, doutora em ciências: desenvolvimento socioambiental, e membra da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio.

Com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) referentes à 2018, que mostram 322 milhões de pessoas, ou seja 4,4% da população mundial, sofrem de depressão, doença que, segundo ela, pode levar ao suicídio, a enfermeira destacou que o levantamento aponta que “em 2020, a depressão será considerada uma das doenças mais significativas para a humanidade”.

Ao tratar sobre o suicídio no programa, a especialista disse que, entre os fatores que levam as pessoas a cometerem tal ato de fragilidade de vinculação com a vida, estão casos de perda de pessoas próximas aliada a não superação do luto, e rompimentos de relacionamentos a exemplo de namoros ou casamentos.

O luto de um suicídio é outro fator agravante apontado por ela que pode levar o indivíduo a cometer o mesmo ato, “porque o luto depois do suicídio é diferenciado dos outros, pois geralmente é permeado de ira, culpa, revolta, por se tratar de uma morte anti-natural, violenta”, explanou.

Bullying

O bullying, situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, é outro problema que, conforme a especialista, deve ser tratado com prioridade, especialmente nas Escolas com presença de profissionais de saúde a fim de evitar que a situação se agrave.

A ansiedade, que pode levar a quadros depressivos, e o estresse também foram explanados por ela e citados como fatores ligados a descontroles emocionais que podem levar ao suicídio caso não sejam tratados com a devida atenção.

Sintomas

Entre os sinais que podem ser detectados conforme relatado pela doutora e acordo com a OMS, podem ser vistos atualmente de maneira mais clara através das redes sociais a exemplo de postagens com notícias de mortes, de pessoas que sofrem, coisas referentes à morte, desejo de desaparecer “de largar tudo”; o isolamento de amigos, entre outros.

Questionada se a característica pode ser de uma pessoa forte ou fraca, Wilma Pereira explicou que, o suicídio é um quadro mental, que precisa de intervenção imediata. “A pessoa não está necessariamente fora de si, e sim diferente do que seria normalmente”, esclareceu.

Prevenção

Entre as formas de prevenir, a especialista citou o cultivo de laços afetivos, amizades, hobbies, manter-se ligado a praticas religiosas, terapias, e até mudanças ambientais, são algumas medidas que podem ajudar à manter-se longe de sentimento de tristeza e sofrimento que podem evitar à tal ato. “E terapia, buscar um psicólogo para ajudar a tomar as decisões certas”.

O ambiente de trabalho é um dos locais que, de acordo ela, também pode trazer situações difíceis. “É importante neste sentido, evitar o estresse da carga de trabalho e relações interpessoais”, orientou.

Saúde pública

O suicídio, na visão da profissional, é uma questão de saúde pública gravíssima, que requer atenção multifatorial, pois trata de uma luta pela preservação da vida. “É de fato um problema que é de saúde pública, que perpassa pela segurança, assistência social, e educação porque muitas vezes, o estresse e a depressão passam desapercebidos no ambiente escolar onde pode ser mais visível”, complementou, acrescentando que, apesar de preocupante, o assunto ainda não tem tido a atenção devida do Poder Público, “as mobilizações ainda são tímidas e direção à preservação da vida”, disse, citando como exemplo da falta de psicólogos nas Unidades de Saúde, “sendo apenas utilizados nos CAPS”.

Divulgação

A divulgação de vítimas de suicídio em veículos de comunicação é vista pela profissional como um desserviço pela doutora.

“Imagens e relatos detalhados são desconselháveis, e pode inclusive levar ao entendimento ilusório de que a morte repercutida pode ser uma forma de punição aos que os que sofrem com o problema, possam ter”, disse, parabenizando o apresentador, que também é diretor do Rondonoticias pela atitude de não veicular matérias desta natureza.

No programa, Wilma Pereira também respondeu perguntas dos ouvintes, orientou pais e responsáveis, e detalhou mais informações sobre o assunto.

CONFIRA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA:

A VOZ DO POVO - Entrevista doutora Wilma Pereira


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