RONDONOTICIAS sábado, 5 de dezembro de 2020 - Criado em 11/10/2001

COVID-19 faz crescer busca por alternativas de combate à obesidade

Cerca de 7% dos pacientes que morreram pela doença tinham a obesidade como fator de risco.


SEGS

Publicada em: 23/10/2020 17:02:57 - Atualizado

SAÚDE - Pesquisa Nacional de Saúde, divulgada nesta quarta-feira (21), mostra que proporção de obesos acima dos 20 anos mais que dobrou no Brasil.

A pandemia está trazendo uma herança incômoda para muita gente: o excesso de peso. Quem não engordou neste
período, ao menos conhece alguém ou ouviu algum relato de quilos a mais ganhos nos últimos meses. Cenário delicado quando já se sabe que a obesidade é um fator de risco elevado para quem contrai a COVID-19.

De acordo com boletins epidemiológicos do coronavírus de várias secretarias de saúde pelo Brasil, cerca de 7% dos pacientes que morreram pela doença tinham a obesidade como fator de risco.

Os números da Pesquisa Nacional de Saúde, divulgados nesta quarta-feira (21/10) pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o universo de pessoas com esse fator de risco já era enorme antes da pandemia. De acordo com a pesquisa, entre 2003 e 2019, mais do que dobrou a proporção de obesos na
população com 20 anos ou mais no país - saltando de 12,2% para 26,8%.

Os números do IBGE também mostram que um em cada quatro brasileiros de 18 anos ou mais estava obeso em 2019 - o que equivale a 41 milhões de pessoas.

Um estudo divulgado em julho, na página da Associação Brasileira Para o Estudo da Obesidade e da Síndrome
Metabólica (Abeso), mostrou que quanto maior o Índice de Massa Corporal (IMC) de uma pessoa, maior é a probabilidade do quadro de COVID-19 se complicar. Quem tem um IMC entre 30 e 35 kg/m2 apresenta um risco 1,4
vez maior que uma pessoa saudável, enquanto indivíduos com IMC entre 35 e
40 kg/m2 têm 1,8 vez mais risco.

Já um paciente com IMC maior de 40 kg/m2, o risco se eleva para 2,6 vezes. O cirurgião do aparelho digestivo
Caetano Marchesini, especialista em cirurgia bariátrica do Hospital  Marcelino Champagnat, em Curitiba, explica o porquê dessa relação perigosa entre obesidade e coronavírus. “O excesso de gordura é uma inflamação crônica do corpo, que leva à imunossupressão, à redução da capacidade do sistema imunológico. Ou seja, com a imunidade afetada, o organismo do obeso tem mais dificuldade em combater o vírus”, diz.

Marchesini conta que, na época do vírus H1N1, de 37 a 47% dos pacientes obesos infectados pelo vírus evoluíam a doença para quadros mais graves.Agora, com o coronavírus, a estatística quase dobrou. De 70 a 80% dos
obesos infectados pela COVID-19 evoluem para sintomas graves da doença.

Bariátrica

Uma das alternativas médicas para o combate da obesidade, em pacientes com alto IMC, é a cirurgia bariátrica. Marchesini conta que muitos pacientes obesos lhe procuraram preocupados em emagrecer, por entenderem o risco que a obesidade lhes trazia frente ao coronavírus.

O chef de cozinha Vavo Krieck, 48 anos, passou pelo procedimento que seguiu todos os rigorosos protocolos de
segurança sanitária adotados pelo hospital. O paciente tinha 134 quilos (oito dos quais ganhou na pandemia), mas já perdeu 20, após pouco mais de 45 dias da cirurgia. “A pandemia serviu como um grande espelho na
vida de todo mundo. Coisas que antes a gente achava que conseguia controlar, o tempo em casa mostrou que não dava mais pra varrer a sujeira para baixo do tapete. Eu achava que a hora que eu quisesse, eu
conseguiria emagrecer. Mas notei que não é bem assim”, diz Vavo.

Além dos aspectos psicológicos, o chef de cozinha ainda se deparou com outros problemas: hipertensão,
pré-diabetes, apneia e a falta de fôlego para brincar com os filhos gêmeos de cinco anos, que agora estavam em tempo integral dentro de casa.

Conversando com o cardiologista, Vavo constatou que, no seu caso, a cirurgia bariátrica era a opção mais indicada para emagrecer e melhorar a saúde. “Já estou praticando atividade física três vezes por semana,  meu fôlego já está melhorando, minha pressão arterial voltou completamente ao normal. Não poderia ter tido decisão melhor. Todos os aspectos da vida começaram a melhorar”, analisa o paciente.



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