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porto velho, sábado 29 de novembro de 2025

Hoje resolvi escrever de maneira distinta do que faço habitualmente.
Hoje, em vez de falar apenas comigo, quero falar com quem me lê, ainda que seja só um pedacinho das minhas palavras.
E antes de continuar, deixo minhas perguntas se espalharem pelo vento, como quem lança sementes:
De qual país você faz parte?
Qual é sua região?
Qual a cor da sua pele, de que tecido é feita a sua historia ?
Qual crença abraça o seu coração?
Qual ideologia atravessa seu pensamento?
Perguntas simples, e as respostas, tão diversas quanto a humanidade que carregamos.
Mas há algo que me intriga, algo que pulsa por trás de tudo isso.
Somos todos feitos de átomos.
Átomos que desenham moléculas, que se organizam em células, que constroem o milagre silencioso do nosso corpo.
Átomos antigos, viajantes, que já foram poeiras de estrelas, já foram mares, já foram ventos, já foram vidas em outras vidas.
Carregamos, portanto, a imortalidade discreta da matéria:
depois da morte, nossos átomos seguem o caminho, transformados, porém eternos.
Nada é perdido. Nada é desperdiçado.
A vida retorna sempre em outra forma.
Diante disso, eu me pergunto:
vale mesmo a pena tanta diferença de pensamentos, atitudes, julgamentos, superioridades e crueldades?
Porque muitas vezes vemos pessoas agindo como se fossem donas do mundo,
soberbas, violentas, indiferentes ao sofrimento alheio.
Outras, sabotando seus próprios semelhantes como se não carregassem a mesma origem, o mesmo pó, a mesma fragilidade.
E então lembro que, segundo a própria lógica, segundo a própria ciência,
somos feitos da mesma substância.
E segundo a fé cristã e tantas outras,
diante de Deus, somos iguais.
Mas por que é tão difícil viver essa igualdade?
Por que insistimos em erguer muros onde poderíamos construir pontes?
Por que disputamos um mundo que, no fundo, não pertence a ninguém,
já que todos estamos apenas de passagem?
Talvez a resposta esteja no medo.
Ou na vaidade.
Ou no esquecimento.
Esquecemos que nosso DNA nos aproxima muito mais do que nos separa,
que nossa essência é compartilhada, que a vida é breve e que o sentido dela jamais esteve na arrogância, mas na capacidade de reconhecer o outro dentro de si.
Somos feitos da mesma matéria, mas nos tratamos como estrangeiros.
Somos irmãos de origem, mas nos enxergamos como adversários.
Somos átomos eternos, mas vivemos sentimentos pequenos.
E assim, a pergunta final se desdobra, profunda, inevitável.
Se viemos do mesmo pó estrelado,
por que permitimos que nossas diferenças gritem mais alto que nossa humanidade?
Talvez a grande sabedoria não seja entender o universo,
mas recordar que
somos parte dele, odos nós,
e que cada vida, cada rosto, cada cor, cada crença,
é apenas uma variação da mesma música antiga que move o cosmos.
E então, quando reconhecermos isso,
talvez o mundo deixe de ser um campo de guerra
e se transforme, enfim, em um lugar onde cada pessoa
possa existir com dignidade, com respeito e com luz.
E tenho dito