26/12/2016 08:33:26 - Atualizado em 26/12/2016 08:35:53

Tudo o que você precisa saber sobre Jejum Intermitente, uma visão médica

Os seres humanos, assim como os outros animais, evoluíram em ambientes onde o alimento era relativamente escasso, desenvolvendo numerosas adaptações que permitem funcionar em um nível elevado, tanto físico como cognitivo, em estado de privação alimentar, ou seja, em jejum. Inclusive muitas culturas e religiões realizam o jejum há muitos anos e ele faz parte da nossa evolução.

O jejum intermitente (JI) inclui padrões alimentares nos quais o indivíduo permanece por períodos prolongados de tempo (por exemplo, 12 a 48h) com pouca ou nenhuma ingestão energética e períodos intermédios de ingestão alimentar normal.

Pesquisas com ratos e camundongos mostram que o JI têm efeitos benéficos profundos em distúrbios relacionados à idade, incluindo diabetes, doenças cardiovasculares, câncer e em distúrbios neurológicos tais como a doença de Alzheimer e o Parkinson.

Estudos com humanos mostram que o JI (por exemplo, restrição de 60% em 2 dias por semana ou em dias alternados) em indivíduos normais ou com sobrepeso demonstraram eficácia paraperda de peso e melhorias em vários indicadores de saúde incluindo resistência à insulina e reduções nos fatores de risco para doença cardiovascular.

Como o jejum intermitente funciona?

O jejum intermitente deve feito e programado sob a supervisão médica e do nutricionista. Existem diversos tipos de programas. Dois exemplos são os JI de 12h e 18h que são realizados normalmente de 1 a 3 vezes por semana. O JI de 12h é muito comum, nele o indivíduo pode fazer o jantar e realizar a primeira refeição do dia seguinte apenas no almoço. Segundo a nutricionista Luna Azevedo “o jejum não deve ser feito por qualquer pessoa e, de forma alguma, sem orientação do nutricionista sob risco de fraqueza, hipoglicemia, além do risco de desencadear transtornos alimentares“.

Os mecanismos celulares e moleculares pelos quais o JI melhora a saúde e neutraliza os processos de doença envolvem a ativação de vias de sinalização de resposta ao estresse celular adaptativo que melhoram a saúde mitocondrial, o reparo do DNA, expressão dos fatores SIRT-1 e CPT-1 e a autofagia celular.

O estudo recente de Longo et al (2016) mostra que três dias de jejum intermitente pode agir na regeneração do sistema imunológico. Cientistas da Universidade da Califórnia do Sul dizem que a descoberta pode ser particularmente benéfica para pessoas que sofrem de distúrbios imunológicos ou em pacientes com câncer em quimioterapia, no entanto maiores estudos são necessários para indicar o JI nesse grupo.

Ele também pode ajudar os idosos cujo sistema imunológico se torna menos eficaz com a idade, tornando mais difícil para eles para combater mesmo doenças comuns. “O jejum leva a estimulação das células-tronco a formação de novos leucócitos (células brancas do sangue), essencialmente regenerando todo o sistema imunológico", afirma o professor Valter Longo, Professor de Gerontologia e Ciências Biológicas da Universidade da Califórnia.

Qualquer pessoa pode fazer o jejum?

Não há nenhuma evidência de que o jejum seja perigoso ou possa causar dano a saúde, no entanto, quando ele é feito sem acompanhamento médico alguns efeitos colaterais podem surgir, incluindo desmaios, hipoglicemia, sonolência e fraqueza intensa. Lembre-se que qualquer intervenção dietética deve ser realizada apenas sob a orientação de um médico e do nutricionista. Saúde é coisa séria!

fonte: Eu atleta

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