RONDONOTICIAS domingo, 25 de agosto de 2019 - Criado em 11/10/2001

Comissão de Educação e Cultura sabatina indicados para Fapero e IDEP

Deputados podem referendar os nomes, ou não, inclusive sendo feita em votação em plenário


Decom ALE

11/06/2019 07:29:55 - Atualizado

PORTO VELHO RO - Atendendo ao que determina a Constituição de Rondônia, os deputados estaduais integrantes da Comissão de Educação e Cultura (CEC) da Assembleia Legislativa, se reuniram de forma extraordinária, na tarde dessa segunda-feira (10), para sabatinar os indicados pelo governador Marcos Rocha (PSL) para ocupar os cargos de direção em fundações e institutos estaduais. 

Foram sabatinados os indicados para presidir a Fundação Rondônia de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas e Tecnológicas e à Pesquisa do Estado de Rondônia (Fapero), Leandro Soares Moreira, para a presidência do Instituto de Desenvolvimento da Educação Profissional de Rondônia (IDEP/RO), Adir Josefa de Oliveira. 

O presidente da CEC, Lazinho da Fetagro (PT), juntamente com os membros Adelino Follador (DEM), Alex Silva (PRB) e Ismael Crispin (PSB), além dos suplentes Rosângela Donadon (PDT) e Luizinho Goebel (PV); e os deputados Chiquinho da Emater (PSB), Aélcio da TV (PP), Dr. Neidson (PMN), Alex Redano (PRB), José Lebrão (MDB), Jair Montes (PTC), Adailton Furia (PSD), Cirone Deiró (Podemos) e Cassia Muleta (Podemos), participaram da reunião. 

O presidente da Assembleia Legislativa, Laerte Gomes (PSDB), esteve na abertura dos trabalhos e destacou que o Legislativo está cumprindo o seu papel. "Quero registrar que, neste momento, o governador cumpre a Constituição, e encaminha para a apreciação da Casa as nomeações para cargos em fundações, institutos e superintendências. Todos estão fora de seus cargos e isso é importante que fique registrado", destacou Laerte. 

Segundo ele, a sabatina é uma atuação livre dos parlamentares, que podem referendar os nomes, ou não, inclusive sendo feita em votação em plenário. "Fiz questão de estar aqui nesta primeira sabatina da história da Casa. Confio na responsabilidade dos deputados e que todos possam exercer suas atividades, seguindo o que preceitua a nossa Constituição". 

Antes de iniciar a sabatina em si, foi lido o currículo de Leandro Soares, indicado para presidir a Fapero. Em seguida, o deputado Alex Silva, escolhido como relator, quis saber mais sobre a experiência profissional do indicado, que já trabalhou na pesquisa, na academia e na iniciativa privada. 

Lazinho da Fetagro questionou que, com o corte de investimentos em pesquisa, pela União, e com o baixo orçamento próprio, como ele pretende assegurar recursos para o fomento da pesquisa. "Temos que buscar alternativas e fundos que podem nos socorrer, nos apoiar na garantia de nosso funcionamento". 

Luizinho Goebel questionou qual a pesquisa de destaque que ele participou, em sua vida acadêmica. "Projeto de doutorado na FAO, onde trabalhei numa estratégia de alguns agentes de infestação da malária. Projeto pioneiro no mundo, numa abordagem que já está sendo usada pela Fundação Osvaldo Cruz, que com certeza trará grandes benefícios para a nossa região", relatou. 

Leandro Soares completou que há uma necessidade de se fortalecer a Fapero, para a geração de conhecimentos sobre a biodiversidade, por exemplo. "Há uma necessidade, ao meu ver, de se fomentar a inovação, para se desenvolver pesquisas voltadas ao setor produtivo". 

Adelino Follador quis saber quais as áreas, quais projetos que ele, como presidente, pretende dar prioridade, vindo assumir a Fapero. "Não vamos inventar a roda. Vamos pegar modelos já existentes em outros locais e adaptá-los à nossa realidade. Facilitar a pesquisa dentro da empresa, para a melhoria da qualificação da mão-de-obra, por exemplo. Na piscicultura, por exemplo, temos necessidade de controle de sanidade maior". 

Ismael Crispin disse que a Assembleia está cumprindo o seu papel e indagou ao sabatinado se as ações de fomento ao setor das micro e pequenas empresas, dos meios urbanos e rural. "As Fundações têm uma obrigação de destinar 20% do orçamento para pesquisas nesse setor. Temos esse desafio de promover o acesso à tecnologia para este segmento e temos o propósito de atuar com essa demanda", respondeu Leandro. 

Em sua fala, Aélcio da TV se manifestou contrário ao processo de avaliação dos nomes, por discordar da lei, que, em seu entendimento, é uma interferência de um poder no outro. "O Governo deve definir sua equipe e ser responsável por ela, não devendo caber aos deputados nenhuma interferência. Mas, é a lei e devemos respeitá-la", observou. 

Já Chiquinho da Emater abordou a necessidade de funcionamento do laboratório de leite e quis saber se a Fapero pretende atuar em parceria com entidades públicas e privadas, em pesquisas ligadas ao setor produtivo. "Temos necessidades de pesquisas no urucum, no leite e no peixe, além de saber se vai haver convênio para bolsas de estudos e de pesquisas do CNPq". 

Em resposta, Leandro Soares pontuou que seria importante ter uma pesquisa contínua com a cadeia produtiva do leite. "Com relação às bolsas do CNPq, as novas regras excluem Rondônia para mestrado e doutorado stricto sensu, infelizmente". 

Rosângela Donadon questionou se, por sua formação em química, o foco seria também esse. "Temos um contexto variado e o pensamento de abrir espaços para pesquisas nas mais distintas áreas, levando em conta as nossas potencialidades e a nossa questão regional". 

Dr. Neidson aproveitou para saber o que é necessário para se ter acesso ao incentivo da Fapero, apontando que Rondônia, por exemplo, tem uma das maiores taxas de incidência de câncer do colo do útero, como seria possível uma pesquisa para conhecer as causas, ser financiada pela Fapero. 

"A Fapero aplica recursos através de chamada pública, que são avaliados em quatro etapas. Temos o PP SUS que se destina às pesquisas na área de saúde, ofertado à pesquisadores mestres e doutores", completou. 

Leandro Soares 

Leandro Soares Moreira Dill possui graduação em Licenciatura Química pela Universidade Federal de Rondônia (2006); Mestrado em Biologia Experimental pela Universidade Federal de Rondônia (2009); Doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Biologia Experimental da Universidade Federal de Rondônia (2014). Possui experiência na área de Química, nas linhas de pesquisa de Biotecnologia, Bioquímica, Química Orgânica e Química dos Produtos Naturais. 

Fez Pós-doutorado (2016) em Prospecção de Moléculas da Biodiversidade Amazônica de importância para saúde pela Universidade Federal de Rondônia. Atua como Pesquisador convidado no Centro de Pesquisa em Biomoléculas Aplicadas a Saúde - CEBio / Fiocruz Rondônia. Pesquisador convidado no Grupo de Pesquisa em Tecnologia e Inovação na Universidade Federal de Rondônia e professor universitário. 

IDEP 

Em seguida, a indicada para presidir o Instituto de Desenvolvimento da Educação Profissional de Rondônia (IDEP/RO), Adir Josefa de Oliveira, passou a ser ouvida pelos deputados estaduais. Lazinho da Fetagro escolheu o deputado Adelino Follador como relator. 

Dr. Neidson quis saber como ela pretende levar a educação profissional, para as diversas regiões de Rondônia. "Não queremos chegar com uma política impositiva, de cima para baixo. Que possamos identificar as potencialidades de cada região, para gerar renda ou despertar a capacidade empreendedora", disse ela. 

Chiquinho da Emater observou que a Escola Abaitará conta hoje com cerca de 300 alunos e ele quis saber como aumentar esse número, abrindo inclusive para a comunidade indígena. 

"A ampliação da Escola Abaitará não é possível. A ideia é levar para outras regiões, como o Iata, em Guajará-Mirim e o Centrer, em Ouro Preto. Importante que possamos manter os alunos mais próximos de suas famílias, sem precisar sair para outros locais", observou Josefa. 

Adelino Follador questionou se há projetos de cursos de formação continuada, para atender às potencialidades do Estado, ofertando cursos para as pessoas. "Temos esse projeto: cursos de curta duração, com foco na geração de renda e no empreendedorismo. A gente tem recursos para isso". 

Ismael Crispin quis saber se, como prevê a lei de criação do IDEP/RO, há uma previsão de recursos para a promoção de ações voltadas para o atendimento das necessidades dos alunos considerados hipossuficientes. 

"Já asseguramos neste ano, cerca de R$ 40 mil, em uniformes e outros materiais, para os estudantes do Instituo Abaitará, pois muitos não têm condições de comprar uma botina, por exemplo. Temos indígenas que não possuem quase nada e precisamos dar esse apoio", observou. 

Adailton Furia (PSD) indagou se há algum projeto de atuação em parceria com as Escolas Família Agrícola (EFA's), pelas necessidades que elas enfrentam. "Pela nossa vocação agropecuária, é preciso se investir mais nessas Escolas, para que haja uma formação mais ampla para os jovens do meio rural". 

"O IDEP visa fortalecer a educação profissional. As EFA's são importantes, que recebem recursos do Fundo de Educação, mas cabe ao Governo esse trabalho", observou Josefa. 

Jair Montes defendeu que seja focado o trabalho de fortalecimento de cursos voltados para a formação de mão de obra para o meio rural. "Esse é o nosso desafio: qualificar as pessoas para atuar em atividades ligadas ao agronegócio e espero que o IDEP possa atuar nessa direção". 

Luizinho Goebel quis saber se a educação profissional, ter um Instituto como o IDEP é importante e o que pode ser feito. "Temos cursos de curta duração, que também podem oportunizar a profissionalização, a geração de renda e de atividades empreendedoras". 

Cassia Muleta observou que a educação profissional é uma necessidade, que precisa ser encarada com atenção pelo Estado. 

Alex Redano aproveitou para enaltecer o nome de Adir Josefa, como educadora e gestora. "Pude conhecer o trabalho do IDEP/RO e vislumbro uma grande parceria com o poder Legislativo, com a Adir Josefa no comando. O pedido de cursos é sempre nos apresentado e quanto mais pudermos atuar em parceria, melhor. Deixo uma sugestão para uma maior aproximação com esta Casa e me coloco à disposição para contribuir com emendas", completou. 

"Realmente, a educação profissional é importante, mas requer investimentos. Olhar para cada região, para cada potencialidade, precisa ter recursos para investir e é importante que haja essa parceria com a Assembleia Legislativa, inclusive com a destinação de emendas. Minha proposta, caso meu nome seja aprovado por esta Casa, é levar a educação profissional para todas as regiões do Estado, criando dez Escolas no Estado", completou Adir Josefa.


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