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porto velho, quarta-feira 7 de outubro de 2026

Alexandre de Moraes é um homem com medo. O carrasco do bolsonarismo tenta evitar o patíbulo do impeachment fazendo o que não fez nos últimos sete anos, desde a abertura do inquérito das fake news: justiça.
Após a vitória acachapante da direita no Senado, ele permitiu que Flávio Bolsonaro visitasse o seu pai preso e autorizou que a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, a “Débora do batom”, a cumprir a pena em regime semiaberto.
O entorno do ministro também fez questão de divulgar que Moraes arquivou uma investigação contra os bolsonaristas Marcos do Val, Oswaldo Eustáquio, Allan dos Santos e Ednardo Raposo. O arco de acusações ia de intimidação a policiais federais a corrupção de menores, no caso de Eustáquio, acusado de ter usado o perfil da filha para cometer atos ilícitos (aliás, os abusos cometidos pelo STF e pela PF contra essa adolescente deveriam entrar para história da infâmia).
O decano da Corte, por sua vez, colaborou para tentar angariar a boa vontade dos vencedores no primeiro turno ao encerrar a investigação contra Alfredo Gaspar, vice na chapa de Flávio Bolsonaro, acusados por Lindbergh Farias e Sonia Thronicke de estupro de vulnerável.
Era evidente calúnia, mas Gilmar Mendes só arquivou o inquérito depois do resultado nas urnas.
Todos esses movimentos provam por contraste, como se ainda houvesse necessidade de prova, que essa ala do STF vinha instrumentalizando a justiça para o fim político de manter a direita acuada.
A má notícia para Moraes é que o seu impeachment já está precificado: os senadores recém-eleitos não estão dispostos a trair o seu eleitorado, e Flávio Bolsonaro não deverá ousar entabular um acordão para salvar o carrasco do seu pai.
São muitos os sinais de que Moraes está com os dias contados como ministro.
O senador Rogério Marinho, cotado para ser o próximo presidente do Senado, foi finalmente recebido por Edson Fachin. Ele disse ao presidente do STF que não haverá vingança contra o tribunal, mas que o Senado não será omisso em relação aos crimes de responsabilidade cometidos por ministros da Corte. Há uma penca deles atribuídas a Moraes.
Soube-se também, por meio da jornalista Bela Megale, que Flávio e Marinho se encontraram há um mês com Gilmar, separadamente.
De acordo com a jornalista, o ministro ouviu críticas de ambos, em especial sobre Flávio ter sido proibido de visitar o pai, e Rogério Marinho disse a Gilmar que considerava “improvável” que, em caso de vitória final da chapa bolsonarista, Moraes pudesse ser preservado na sua cadeira no STF.
A leitura da nota leva a crer que foi o decano quem intercedeu junto à PGR e à Moraes para que Flávio tivesse permissão de ver o pai. É muito conveniente para Gilmar levar esse crédito neste momento.
Trata-se do tipo de vazamento que, certamente vindo do entorno do decano, se não do próprio, mostra como a cabeça de Moraes já está sendo entregue aos leões em meio ao salve-se quem puder.
Nem mais os petistas querem saber do ministro que, até poucos dias atrás, operava em conjunto com Davi Alcolumbre para beneficiar Lula com manobras eleitoreiras.