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porto velho, terça-feira 17 de março de 2026

PORTO VELHO - RO - Depois de um período de silêncio estratégico, o deputado federal Fernando Máximo volta ao centro do jogo político rondoniense — e não por acaso. A filiação ao Partido Liberal, formalizada no encontro de Ji-Paraná, após deixar o União Brasil, reposiciona o parlamentar dentro de um bloco que já se organiza como um dos mais competitivos para 2026.
A ficha de filiação foi abonada pelo presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, em um gesto que vai além do simbolismo partidário. Trata-se de um movimento calculado dentro de uma engrenagem maior: a construção de um chapão conservador, ‘puro sangue’ que pretende disputar simultaneamente o Governo do Estado e as duas vagas ao Senado.
Nesse desenho, Máximo surge como um dos nomes para o Senado, ao lado do empresário Bruno Scheid, enquanto o senador Marcos Rogério desponta como candidato ao Governo de Rondônia. É um alinhamento que carrega o selo do bolsonarismo e que conta com forte articulação nacional.
Máximo não chega como coadjuvante. Foi o deputado federal mais votado da atual legislatura, construiu uma presença sólida junto ao eleitorado e domina como poucos a comunicação digital. Seu retorno ao debate público indica que pretende recuperar o protagonismo e transformar capital eleitoral em viabilidade majoritária.
Mas o caminho não é livre de obstáculos.
Nos bastidores, um tema insiste em acompanhar seus passos: o inquérito que tramita na Polícia Federal e apura supostas irregularidades na aquisição de insumos durante a pandemia da Covid-19. O processo é tratado como um ponto sensível por aliados e adversários — e tende a ganhar visibilidade à medida que o calendário eleitoral se aproxima.
Não por acaso, o deputado passou um período longe dos holofotes. Reduziu agendas, silenciou discursos e até deixou de lado um dos seus símbolos mais conhecidos, a “toquinha” que ajudou a marcar sua identidade política. Foi, ao que tudo indica, uma retirada tática — um recuo necessário para evitar desgaste antes da hora.
Agora, com a filiação ao PL e o novo arranjo político em curso, Fernando Máximo retorna ao jogo. E retorna em um momento em que o tabuleiro já não é o mesmo.
Se tem votos, como apontam analistas, terá também que administrar o peso de um processo que pode atravessar sua caminhada. Em política, não basta avançar casas; é preciso calcular cada movimento.
E Máximo, ao que tudo indica, decidiu voltar a jogar — mesmo sabendo que o próximo lance pode definir não apenas sua candidatura, mas o alcance do projeto político que hoje se desenha em Rondônia.