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porto velho, segunda-feira 12 de outubro de 2026

PORTO VELHO - RO - A deputada estadual eleita Fátima Cleide (PT) entrou no centro de uma forte controvérsia após declarações críticas desconstruindo a imagem da Polícia Militar de Rondônia. A ex-senadora afirmou que a população teria medo da corporação, questionou abordagens policiais e utilizou a expressão “eliminação do CPF” ao tratar do enfrentamento à criminalidade do estado.
Durante a manifestação, Fátima também afirmou que jovens estariam “presos ou no cemitério”, relacionando a situação à política de segurança pública. As declarações foram interpretadas por representantes militares como uma generalização contra a PM e provocaram reação imediata.
Depois de deixar o Senado, Fátima passou longo período afastada do cotidiano político rondoniense, dividindo sua vida entre Brasília e São Paulo. Agora, de volta ao centro da política estadual, suas declarações sobre segurança pública provocaram reação imediata de setores ligados à Polícia Militar e também de parte da população.
A Associação dos Oficiais Policiais e Bombeiros Militares de Rondônia (ASOF/RO) divulgou nota de repúdio, argumentando que as afirmações desconsideram a realidade enfrentada pela corporação e o trabalho diário dos policiais. A entidade defendeu que eventuais irregularidades sejam apuradas individualmente, sem responsabilização generalizada da instituição.

Nas redes sociais, integrantes e apoiadores da corporação também reagiram às declarações. O episódio ganhou dimensão política justamente no intervalo entre o primeiro e o segundo turno da eleição presidencial, período em que Fátima participa da mobilização em favor do candidato de seu partido.
A controvérsia, portanto, extrapolou o debate sobre segurança pública e passou a produzir repercussões políticas. Até o momento, porém, não há levantamento eleitoral que permita afirmar quantos votos — ou se algum voto — foram efetivamente alterados pelo episódio.
Eleita deputada estadual com 13.868 votos, equivalentes a 1,47% dos votos válidos, Fátima conquistou 6.336 votos somente em Porto Velho.
O contraste político está colocado: enquanto participa da mobilização presidencial de seu partido, Fátima precisa administrar a reação provocada por suas próprias declarações sobre a Polícia Militar.
O debate sobre eventuais abusos policiais é legítimo, assim como a fiscalização das forças de segurança. O ponto levantado pelas entidades militares é outro: acusações contra a corporação, sustentam seus representantes, precisam estar acompanhadas de dados e responsabilidades individualizadas. Na manifestação que desencadeou a controvérsia, Fátima fez críticas contundentes, mas não apresentou números que sustentassem as generalizações atribuídas à PM.
Antes mesmo da posse na Assembleia Legislativa, a deputada eleita já enfrenta sua primeira grande crise política, com um embate que começou na segurança pública e alcançou o ambiente eleitoral.