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porto velho, sexta-feira 25 de setembro de 2026

PORTO VELHO, RO - Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá, o programa A Voz do Povo desta sexta-feira (25/09) recebeu Samuel Costa, candidato ao governo de Rondônia pelo PSB, para uma entrevista marcada por propostas para saúde, infraestrutura e tributação, além de críticas ao modelo político e econômico do Estado.
Entre os principais pontos apresentados, Samuel defendeu a criação de uma tributação sobre a soja exportada por Rondônia. Segundo o candidato, a medida permitiria ampliar os investimentos nas estradas estaduais e, ao mesmo tempo, financiar ações voltadas à agricultura familiar.
Ao falar sobre a infraestrutura, Samuel afirmou que Rondônia possui cerca de 7 mil quilômetros de estradas sob responsabilidade do Estado, dos quais aproximadamente 1,5 mil seriam pavimentados. Para ampliar a capacidade de investimento, propôs cobrar, no primeiro ano de governo, uma alíquota de 2,5% sobre a soja destinada ao mercado externo.
De acordo com o candidato, a arrecadação estimada seria de aproximadamente R$ 1,8 bilhão no primeiro ano. Parte dos recursos, conforme explicou, seria destinada ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Samuel também propôs a implantação de uma Ceasa para fortalecer a agricultura familiar e reduzir perdas na produção.
“A turma da soja vai ter que pagar imposto”, afirmou.
Samuel acrescentou que pretende elevar a alíquota da soja para 4% no segundo ano e, paralelamente, conceder isenção de IPVA aos trabalhadores da agricultura familiar com faturamento de até R$ 200 mil. Para o terceiro ano, defendeu a redução da tributação sobre o gado de 10% para 5%, dentro do que classificou como uma política de “justiça tributária”.
Poder econômico na campanha
O debate sobre tributação levou a entrevista também para o financiamento da política. Samuel afirmou que não pretende buscar apoio de representantes ligados ao setor da soja e questionou os custos dos deslocamentos de candidatos que percorrem vários municípios de Rondônia de avião durante a campanha.
“Quem está financiando esse avião?”, questionou, antes de completar: “Não existe almoço grátis, meu irmão”.
Calamidade na saúde
Na saúde, Samuel apresentou uma das medidas mais contundentes de sua plataforma. O candidato afirmou que, se eleito, pretende decretar estado de calamidade pública no setor e promover auditorias em contratos do Governo de Rondônia.
Durante a entrevista, ele citou áreas como anestesiologia, neurologia, oftalmologia, cardiologia e ortopedia ao defender uma revisão da forma como determinados serviços são contratados e prestados no Estado.
Samuel também criticou a concentração dos atendimentos de maior complexidade em Porto Velho. Segundo ele, pacientes do interior percorrem centenas de quilômetros até a capital e ainda enfrentam dificuldades para conseguir atendimento e leitos após entrarem na regulação.
Novo João Paulo II
Como resposta à situação da saúde, o candidato defendeu aproveitar uma estrutura inacabada localizada às margens da BR-364, nas proximidades do cruzamento com a avenida Campos Sales, em Porto Velho, para instalar uma nova estrutura do Hospital João Paulo II.
Samuel afirmou que pretende buscar uma articulação com o governo federal e utilizar recursos destinados à saúde para viabilizar o projeto.
“Nós vamos fazer em quatro anos o que não foi feito em 40 anos”, declarou.
Ainda na saúde, Samuel prometeu ampliar a quantidade de leitos clínicos, de enfermagem, UTI e terapia. Ao falar sobre a composição de uma eventual gestão, afirmou que o critério para ocupar funções públicas deverá ser técnico, e não ideológico.
“Não quero saber se é bolsonarista, se é lulista, se é de centro. Nós vamos colocar pessoas capacitadas que tenham sentimento de pertencimento, conhecimento técnico e boa vontade”, afirmou.
Saúde mental 24 horas
A saúde mental também ganhou espaço na entrevista. Samuel defendeu o fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e a ampliação dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), com funcionamento 24 horas por dia e sete dias por semana.
A proposta, segundo o candidato, é manter equipes com psicólogos, psiquiatras e outros profissionais para ampliar o atendimento, inclusive a pessoas neurodivergentes e com deficiência.

Reta final da disputa
Samuel também foi questionado por Arimar Souza de Sá sobre seu desempenho nas pesquisas eleitorais. O candidato relativizou os levantamentos, classificando-os como um retrato do momento, e afirmou que ainda aposta nos debates e na reta final da campanha para ampliar sua presença entre os eleitores.
Ao falar sobre o resultado das urnas, Samuel disse estar tranquilo quanto ao futuro político e afirmou que pretende seguir sua trajetória independentemente da colocação alcançada.
“Se eu chegar no segundo turno, a gente ganha as eleições. Se a gente não chegar no segundo turno, vida que segue”, declarou.
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