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porto velho, sexta-feira 9 de outubro de 2026

A crise provocada pelas queimadas e pela fumaça no Amazonas voltou a levantar questionamentos sobre a atuação de artistas e celebridades que costumam se manifestar em defesa do meio ambiente. Em meio à disputa eleitoral de 2026, críticos apontam uma possível diferença de postura entre o atual cenário e períodos anteriores, quando incêndios na Amazônia provocaram campanhas públicas e manifestações de figuras conhecidas.
A discussão ganhou repercussão nas redes sociais após a intensificação da fumaça em Manaus e em municípios do interior amazonense. Em setembro, a ex-BBB Isabelle Nogueira cobrou maior atenção nacional para a crise e criticou a pouca visibilidade dada ao problema. A situação também levou internautas a questionarem a ausência de mobilizações de artistas que já participaram de campanhas ambientais.
O cantor Davi Sacer também criticou o que considera uma postura seletiva de parte da classe artística diante dos incêndios. Em manifestação divulgada em setembro, ele comparou a repercussão das queimadas em governos diferentes e questionou se o posicionamento de celebridades muda conforme o ocupante da Presidência da República.
A crise ambiental ocorre em um momento politicamente sensível para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputa a reeleição. Nesse contexto, críticos levantam a hipótese de que parte dos artistas evitaria manifestações capazes de desgastar o governo federal. Entretanto, não há evidências públicas suficientes para afirmar que o silêncio de celebridades decorra de uma estratégia deliberada para proteger Lula eleitoralmente.
Os números da crise reforçam a dimensão do problema. Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo em 9 de outubro, o Amazonas registrou 4.370 focos de queimadas até o início do mês, enquanto a fumaça provocou a suspensão de atividades presenciais em escolas e universidades de Manaus. A poluição atmosférica chegou a níveis considerados críticos, ampliando a preocupação com a saúde da população.
O debate, portanto, vai além das preferências políticas de artistas e celebridades. A questão central é se a defesa do meio ambiente deve permanecer constante, independentemente de quem esteja no comando do país. Em uma crise que afeta diretamente comunidades amazônicas, a cobrança por transparência, fiscalização e medidas efetivas de combate ao fogo envolve governos, autoridades ambientais e também a sociedade civil.