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    porto velho, terça-feira 29 de setembro de 2026

Presidente do Flamengo diz que proibição das Bets vai comprometer pagamento de Paquetá

Presidente do Flamengo diz que proibição das Bets vai comprometer pagamento de Paquetá


uol

Publicada em: 29/09/2026 10:48:35 - Atualizado


Luiz Eduardo Baptista, presidente do Flamengo, criticou a proibição das casas de apostas no Brasil e alertou que a medida pode levar o clube a dificuldades financeiras que afetarão diretamente o pagamento das parcelas da contratação de Lucas Paquetá. As declarações foram feitas em entrevista ao Jornal O Globo.

Baptista classificou o banimento como “unilateral” e questionou o momento da decisão. “Banimento unilateral, da forma que foi, no momento que foi, é difícil de entender, a uma semana de uma eleição. Isso causa espécie”, afirmou o dirigente, ressaltando a proximidade com o período eleitoral como um fator que torna a medida ainda mais intrigante.

O impacto potencial é significativo. O Flamengo antecipou recebíveis com a Betano, empresa de apostas que mantém contrato de patrocínio master até 2028, garantindo R$ 268 milhões por temporada. A Betano sinalizou informalmente a possibilidade de rescindir o contrato diante da proibição, o que representaria uma perda de receita considerável para o clube.

Paquetá e as parcelas futuras em risco

A contratação de Lucas Paquetá custou 42 milhões de euros ao Mengão, totalizando cerca de R$ 315 milhões. O pagamento está estruturado em parcelas: 12 milhões de euros devem ser pagos em janeiro de 2027 e mais 12 milhões de euros em janeiro de 2028. Essas obrigações financeiras agora enfrentam incerteza.

Baptista relacionou o impacto da proibição diretamente aos compromissos contratuais do clube. A redução ou ausência de receitas vindas do setor de apostas colocaria em cheque a capacidade do Flamengo de honrar esses pagamentos nos prazos previstos. Para o presidente, o cenário é grave o suficiente para exigir mudanças estratégicas imediatas.

Internamente, o clube estima impacto de até 20% de sua receita total, sendo 15% pelo contrato direto com a Betano e 5% por desdobramentos indiretos. Essa projeção se alinha com alertas de que o Flamengo pode perder até R$ 400 milhões em receitas caso a Medida Provisória restrinja ou proíba completamente as apostas esportivas.

O dirigente já tinha deixado claro em conversas internas que o clube não possui um plano B consistente para enfrentar essa possível perda. Os efeitos diretos e indiretos podem comprometer compromissos do Mais Querido para 2027, incluindo não apenas contratações, mas também o cumprimento de obrigações já assumidas.

Busca por alternativas e receitas menores

Diante do cenário, Baptista indicou que o Flamengo precisará mudar suas prioridades. “Vamos deixar de contratar jogadores e contratar advogados”, afirmou, em tom que mistura crítica à medida com preocupação genuína sobre as consequências.

O presidente também apontou que o clube buscará alternativas e novos patrocinadores para compensar a perda, mas com valores significativamente abaixo dos atuais. “Vamos buscar alternativas e novos patrocinadores, mas os valores serão muito abaixo dos atuais”, alertou.

O Flamengo já iniciou conversas com possíveis substitutos, com empresas como Lubrax e Banco BRB sendo citadas informalmente. Porém, qualquer novo acordo dificilmente chegará próximo aos valores oferecidos pela Betano, consolidando um cenário de receitas reduzidas para o clube.

Baptista também mencionou que a medida pode afetar a dinâmica de receitas do futebol brasileiro como um todo. Segundo o dirigente, clubes brasileiros podem sofrer enfraquecimento competitivo em comparação com rivais argentinos, que contam com estruturas de receitas diferentes. Além disso, a proibição pode prejudicar também os esportes olímpicos, ampliando o alcance negativo da decisão governamental.

O presidente ainda alertou que o Flamengo pode ser obrigado a devolver valores já recebidos da Betano caso a proibição seja retroativa, agravando ainda mais a situação financeira. Esse cenário tornaria impossível cumprir obrigações contratuais sem buscar alternativas drásticas de financiamento ou renegociação de dívidas já assumidas.


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