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porto velho, quarta-feira 14 de janeiro de 2026

RONDÔNIA - Diante da forte repercussão negativa sobre a cobrança de pedágio na BR-364, a concessionária Nova 364 divulgou um posicionamento para justificar os valores praticados, apontados por motoristas e comparativos nacionais como um dos mais altos do país. A empresa sustenta que o impacto financeiro da rodovia em más condições seria maior do que o custo direto da tarifa.
A manifestação ocorre em meio ao desgaste da concessão, marcada pelo início da cobrança antes da execução das principais obras estruturais previstas para o trecho entre Porto Velho e Vilhena. O cronograma provocou reação popular, intensificou protestos e ampliou a pressão política, especialmente nas redes sociais, onde a insatisfação ganhou força.
Como principal argumento, a concessionária destaca o chamado “custo invisível” gerado pela precariedade do pavimento. Segundo dados utilizados pela empresa, grande parte das rodovias do estado apresenta condições apenas regulares ou ruins, o que elevaria significativamente os gastos do transporte, principalmente com manutenção de veículos e consumo de combustível.
A Nova 364 afirma que a má qualidade das estradas aumenta o custo operacional do transporte em percentual superior à média nacional, enquanto o pedágio representaria um acréscimo menor no orçamento dos usuários. A estratégia busca deslocar o foco do debate do valor da tarifa para os prejuízos acumulados ao longo dos anos pela falta de investimentos consistentes na rodovia.
Em resposta às críticas sobre a ausência de melhorias visíveis, a concessionária informou já ter aplicado centenas de milhões de reais desde o início da operação, com ações voltadas à recuperação do trecho concedido.
A empresa também argumenta que a modernização da BR-364 deve trazer benefícios como redução de acidentes, maior segurança e previsibilidade logística.
Apesar da tentativa de defesa baseada em números e projeções econômicas, o principal ponto de insatisfação permanece. Para grande parte da população, a cobrança começou antes das entregas prometidas, reforçando a percepção de que o pagamento chegou primeiro ao bolso do usuário, enquanto a rodovia ainda não apresenta o padrão esperado.