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    porto velho, sexta-feira 16 de janeiro de 2026

Pedágio na BR-364 empurra custo do frete e pesa no bolso do consumidor do Norte

Críticos da medida alertam que, em vez de promover desenvolvimento, o modelo adotado pode sufocar economias locais, penalizar o pequeno produtor e...


Redação

Publicada em: 16/01/2026 10:05:26 - Atualizado

PORTO VELHO-RO:  A cobrança de pedágio na BR-364 já começa a produzir efeitos diretos e imediatos no custo de vida da população de Rondônia, Amazonas e do Acre. Principal corredor logístico da região, a rodovia concentra o tráfego de alimentos, combustíveis, medicamentos e produtos industrializados que abastecem cidades inteiras.

Com a nova tarifa, o impacto não fica nas praças de pedágio — ele avança até as prateleiras dos supermercados e feiras livres. Transportadores e empresários do setor logístico confirmam que o aumento no custo operacional será inevitavelmente repassado ao frete.

Caminhões que cruzam diariamente a BR-364 terão despesas adicionais, tornando o transporte mais caro em uma região que já enfrenta gargalos históricos de infraestrutura, longas distâncias e poucas alternativas viárias. Na prática, o efeito é simples e cruel: o pedágio encarece o frete, o frete encarece o produto e a conta final recai sobre o consumidor, especialmente os mais pobres. Alimentos básicos, gás de cozinha, materiais de construção e itens de primeira necessidade tendem a sofrer reajustes em cadeia, aprofundando a pressão sobre famílias que já convivem com renda limitada.

O impacto ultrapassa as fronteiras de Rondônia. O Acre, altamente dependente da BR-364 para seu abastecimento, também será fortemente atingido. Estados da Amazônia Legal, que já pagam mais caro por praticamente tudo, agora enfrentam o que representantes do setor classificam como o pedágio mais oneroso do país em relação à realidade regional. A insatisfação começa a ganhar as ruas.

Protestos já foram registrados no Amazonas, Acre e Rondônia, reunindo caminhoneiros, produtores rurais, comerciantes e moradores que veem na cobrança um golpe adicional no custo de vida. As manifestações denunciam a falta de diálogo, a ausência de contrapartidas visíveis e o risco de aprofundamento das desigualdades regionais.

Críticos da medida alertam que, em vez de promover desenvolvimento, o modelo adotado pode sufocar economias locais, penalizar o pequeno produtor e tornar ainda mais caro viver e empreender na Região Norte. Para eles, o pedágio, da forma como foi implantado, não resolve os problemas históricos da BR-364 e transfere o peso da decisão diretamente para quem menos pode pagar.

Enquanto o debate avança e os protestos se intensificam, uma certeza já se impõe: o custo do pedágio não ficará nas cabines. Ele será diluído no preço do arroz, do feijão, da carne, do combustível e de tudo o que cruza a BR-364 — e quem pagará a conta, mais uma vez, será o consumidor.


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