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porto velho, sábado 29 de novembro de 2025

Porto Velho, RO — Um dos partidos mais tradicionais do país vive, em Rondônia, seu momento mais frágil em décadas. Sem quadros competitivos, enfraquecido por disputas internas e desgastado pela desastrosa passagem de Lúcio Mosquini pela administração pública, o MDB chega ao ciclo eleitoral de 2026 sem um nome sequer para disputar o governo. O resultado é um cenário de apatia, desalento e submissão a outras siglas mais organizadas — algo impensável para uma legenda que já comandou o estado e ditou os rumos da política local.
A crise escancarou um partido sem liderança, sem projeto e sem direção. O grupo histórico de Valdir Raupp, outrora referência de articulação e poder, está rachado com o núcleo ligado ao ex-governador Confúcio Moura. As divergências, antes abafadas nos bastidores, agora saíram de controle: há troca de acusações, disputas de espaço e um clima de hostilidade que impede qualquer tentativa de reconstrução.
A velha guarda — que ainda tenta respirar politicamente — assiste, atônita, ao esvaziamento completo da sigla. O MDB, que já definiu eleições e dominou palanques, virou coadjuvante. Sem musculatura eleitoral e atolado em crises internas, deve acabar se agarrando a alianças de conveniência, servindo de apoio a outras agremiações que hoje ocupam o protagonismo estadual.
No fundo, o que se vê é a implosão lenta de um partido que perdeu o tempo da política, não se renovou, não formou novas lideranças e insistiu em projetos ultrapassados. Com isso, o MDB de Rondônia chega às portas de 2026 como um paciente em coma institucional: sem voz, sem influência e sem qualquer perspectiva de reação.
Se nada mudar, restará ao partido apenas assistir — de camarote e em silêncio — ao desfile das forças que realmente decidirão os rumos do estado. A sigla que já foi gigante hoje encolhe diante dos próprios erros. E o futuro, salvo uma reviravolta improvável, promete ser ainda menor.