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porto velho, quinta-feira 22 de janeiro de 2026

PORTO VELHO-RO: Em queda de votos em Rondônia, o senador Confúcio Moura-MDB decidiu não recuar um centímetro da trincheira lulista. Mesmo em um estado de perfil majoritariamente conservador, o emedebista mantém fidelidade absoluta às diretrizes do Planalto, tratando Lula como referência máxima na política nacional — ainda que isso lhe custe capital eleitoral no Estado.
O episódio mais sensível dessa escolha atende pelo nome BR-364. Na votação que autorizou a concessão e a cobrança de pedágio, Confúcio aceitou sem ressalvas. Quando a fatura chegou, no última dia 12/01, e a reação popular explodiu no estado, o senador optou pelo silêncio. Foi, entre os parlamentares de Rondônia, o único a defender publicamente o projeto da chamada “Nova BR-364”, sob o argumento de que os investimentos em modernização justificariam o modelo.
O problema é que a conta não fecha para quem vive longe dos grandes centros. O pedágio, do jeito que foi desenhado, penaliza pequenos municípios e empurra custos para quem depende diariamente da rodovia. A grita é generalizada, mas o senador segue alinhado à lógica federal, mesmo sabendo que o ambiente político local é amplamente simpático ao bolsonarismo e pouco tolerante a medidas associadas ao governo petista que penalizem a sociedade, como é caso da cobrança do pedágio.
Se pretende reduzir o desgaste que podem desaguar em perda de voto na sua reeleição, o experiente senador, hoje detentor de força no governo federal, terá de ir além da defesa abstrata da concessão. Caberá a ele pressionar o Ministério dos Transportes e a Agência Nacional de Transportes Terrestres para promover estudos técnicos que corrijam distorções do modelo. Uma alternativa seria a reavaliação do número e da localização das praças de pedágio, de modo a permitir tarifas mais justas para os deslocamentos curtos entre municípios menores e polos regionais.
O desafio é político e simbólico. Ariquemes, berço eleitoral do senador, é um desses polos diretamente impactados. Ignorar essa realidade pode custar caro nas urnas de outubro. Ao manter fidelidade irrestrita ao Planalto, Confúcio Moura assume sozinho o ônus de uma decisão impopular e se coloca na defensiva diante de um eleitorado cada vez mais impaciente. Em Rondônia, a lealdade ideológica cobra pedágio — e, ao que tudo indica, a urna não aceita pagamento em silêncio.