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    porto velho, sexta-feira 20 de março de 2026

Hildon deixa o isolamento, mas encara o teste mais duro: conquistar o interior

Se na capital seu nome ainda ecoa com reconhecimento, no interior de Rondônia ele permanece, em grande medida, um rosto a ser apresentado...


Redação

Publicada em: 19/03/2026 22:58:02 - Atualizado

PORTO VELHO - RO - A política rondoniense voltou a girar com força nesta semana. A filiação do ex-prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves que pertencia ao PSDB, agora ao União Brasil, oficializada em Brasília na última quarta-feira (18), não foi apenas uma troca de sigla — foi um reposicionamento estratégico que o retira do limbo político e o recoloca sob os refletores de uma disputa que promete ser intensa rumo a 2026.

Hildon reaparece na ribalta com musculatura partidária ampliada, acesso a uma estrutura nacional mais robusta e, sobretudo, com a narrativa de quem retorna ao jogo em condições reais de competitividade. No entanto, a política, como se sabe, não perdoa atalhos. E o caminho que se impõe agora é menos de gabinete e mais de estrada.

Se na capital seu nome ainda ecoa com reconhecimento, no interior de Rondônia ele permanece, em grande medida, um rosto a ser apresentado. E é justamente aí que reside o ponto de inflexão de sua pré-candidatura: transformar capital político urbano em capilaridade estadual rural.

A eventual composição com o deputado estadual Cirone Deiró como vice surge como um aceno ao interior, mas está longe de ser garantia de penetração eleitoral nas regiões mais distantes. Prestígio regional não se transfere por decreto, tampouco se consolida apenas por alianças formais. Em Rondônia, voto se constrói no aperto de mão, na presença física, no olho no olho — sobretudo nas chamadas barrancas, onde a política ainda se mede pela proximidade.

Hildon, portanto, terá de trocar o conforto da visibilidade passada pela dureza do reconhecimento a ser conquistado. Será necessário gastar sola de sapato, cruzar estradas, ouvir demandas locais e, acima de tudo, construir uma narrativa que dialogue com realidades muito distintas das que vivenciou na capital.

A filiação ao União Brasil o resgata do isolamento, mas também o expõe a um novo nível de cobrança. Afinal, sair do anonimato político é apenas o primeiro movimento. Permanecer competitivo exige densidade, articulação e, principalmente, presença.

No tabuleiro que começa a se desenhar, Hildon deixa de ser peça esquecida e volta a ocupar espaço relevante. Resta saber se terá fôlego — e estratégia — para atravessar Rondônia e transformar visibilidade em voto. Porque, na política, reaparecer é importante. Mas sustentar-se no jogo é o verdadeiro desafio. 


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