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    porto velho, quinta-feira 8 de outubro de 2026

“É política de fura-olho”: Coutinho critica emendas e derrocada dos caciques

Rubens Coutinho critica a negociação de emendas e aponta derrotas de Cassol, Donadon e Mariana Carvalho como sinais de perda de influência política...


Redação

Publicada em: 08/10/2026 14:19:24 - Atualizado

Foto - Rondonoticias

PORTO VELHO, RO - Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá, o programa A Voz do Povo desta quinta-feira (08/10) recebeu o jornalista Rubens Coutinho, proprietário do site TudoRondônia e um dos profissionais mais experientes da imprensa política do estado, para uma análise sobre as transformações da política rondoniense, o enfraquecimento de lideranças tradicionais e os resultados das eleições de 2026.

Com mais de quatro décadas de atuação no jornalismo, Rubens traçou um paralelo entre a política praticada no passado e o cenário atual. Durante a entrevista, transmitida pela Rádio Caiari, o jornalista avaliou que as mudanças vão além das estratégias eleitorais e atingem a própria conduta de quem ocupa ou disputa cargos públicos.

Ao ser questionado por Arimar sobre o que mudou na maneira de conquistar o eleitor, Coutinho destacou que, em sua avaliação, a ética e o compromisso com o interesse público perderam espaço em determinados setores da atividade política.

“Eu acredito, Arimar, que mudou um pouco do aspecto da ética e do escrúpulo”, afirmou.

Para sustentar sua análise, o jornalista relembrou figuras que marcaram a história de Rondônia, citando Chagas Neto, Amir Lando e Antônio Morimoto como exemplos de lideranças com características diferentes das observadas atualmente.

Foto - Rondonoticias

Ao comentar a trajetória de Amir Lando, Rubens fez uma das declarações mais contundentes da entrevista.

“Eu considero o Amir Lando um gentleman, um lorde inadequado para a política atual. Porque a política atual é de fura-olho, é chute abaixo da linha de cintura”, declarou.

Na sequência, criticou práticas que, segundo ele, transformaram instrumentos públicos, como as emendas parlamentares, em mecanismos de negociação política.

O enfraquecimento dos antigos grupos políticos

Outro ponto central da conversa foi a perda de influência de famílias e lideranças que, durante décadas, exerceram forte protagonismo nas disputas eleitorais de Rondônia.

Arimar questionou se sobrenomes tradicionais, trajetórias políticas consolidadas e o apoio dos chamados caciques ainda seriam suficientes para decidir eleições.

Rubens respondeu que o peso dessas lideranças já não garante a transferência de votos, utilizando o ex-governador Ivo Cassol como exemplo.

“Não, um exemplo é o Cassol. O Cassol, ele não transfere voto, tanto é que o candidato dele perdeu”, avaliou.

Apesar disso, o jornalista ponderou que os resultados eleitorais não representam necessariamente o fim da influência política da família.

“Essa derrota dos candidatos do Cassol não quer dizer a derrocada da família Cassol. Eu acredito que o Cassol ainda tem muito potencial político”, afirmou.

Coutinho também levantou uma questão considerada decisiva para o futuro dos antigos líderes: a renovação do eleitorado.

Segundo ele, o afastamento prolongado das disputas pode enfraquecer a ligação entre políticos tradicionais e uma geração de eleitores que não acompanhou suas administrações.

“Quando ele voltar, ele vai estar ainda com força? O povo vai lembrar dele? Sobretudo essa juventude que votou pela primeira vez, não sabe quem é mais ele”, observou, ao comentar a trajetória de Cassol.

Amorim e Donadon entram na análise sobre desgaste político

A entrevista também abordou a trajetória de outras lideranças históricas, entre elas Ernandes Amorim e integrantes da família Donadon.

Ao falar sobre Amorim, Rubens reconheceu a importância de sua atuação no desenvolvimento de Ariquemes, mas avaliou que o ex-parlamentar enfrenta dificuldades para recuperar o protagonismo eleitoral.

“Não se deve dizer de um político que ele está definitivamente acabado, mas creio que o Amorim é um desses que tem muita dificuldade de se manter na política”, declarou.

Já sobre a família Donadon, tradicionalmente influente no Cone Sul de Rondônia, o jornalista apontou que disputas internas e o surgimento de novas lideranças contribuíram para modificar o cenário político regional.

“Os Donadons, eles não perceberam o surgimento de lideranças políticas lá no Cone Sul”, analisou.

Rubens também citou a divisão política dentro da própria família e os resultados eleitorais recentes como sinais de que o sobrenome, isoladamente, já não assegura a mesma força nas urnas.

Na avaliação do entrevistado, o avanço de novos grupos demonstra que a política rondoniense passa por uma reorganização, na qual antigas estruturas precisam disputar espaço com lideranças que conquistaram projeção mais recentemente.

“A política dá um tipo de poder diferenciado”

Um dos momentos mais reflexivos da entrevista ocorreu quando Arimar e Rubens discutiram a dificuldade de determinadas lideranças em aceitar o afastamento da vida pública.

Coutinho relembrou sua convivência com Antônio Morimoto e mencionou o ex-senador Odacir Soares ao abordar o impacto emocional provocado pela perda de influência política.

Segundo o jornalista, o exercício de um mandato oferece uma forma de poder que ultrapassa as condições financeiras e o reconhecimento social.

“É um poder, vamos dizer assim, mais abrangente, de decidir destinos, de mandar nos outros, inclusive”, afirmou.

Na sequência, Rubens observou que o ambiente político também pode alimentar a necessidade de reconhecimento e prestígio.

“Para quem gosta de bajulação, quem gosta de puxação de saco, então há um sofrimento dessa gente”, acrescentou.

A análise reforçou um dos principais argumentos apresentados ao longo do programa: para determinadas lideranças, deixar a política significa perder não apenas um cargo, mas também uma posição de influência construída durante anos.

Derrotas eleitorais e o futuro de Mariana Carvalho

Ao direcionar a discussão para a política de Porto Velho, Arimar também levantou a situação de Mariana Carvalho, mencionando a sequência de derrotas eleitorais e questionando quais caminhos ainda estariam disponíveis para sua trajetória política.

Rubens avaliou que o cenário se tornou mais difícil para a ex-parlamentar, especialmente diante da redução de seu espaço nas disputas eleitorais.

“O problema é a janela que se fechou para ela. Ela vai ser candidata a quê agora? A vereadora? A prefeita de novo?”, questionou.

A declaração integrou a avaliação mais ampla sobre o desgaste de lideranças que, apesar de terem ocupado posições relevantes na política estadual, enfrentam dificuldades para reconquistar o eleitorado.

Para Rubens, a transformação não está apenas nos nomes escolhidos pelas urnas, mas também nos valores, nas práticas e na forma como o poder passou a ser exercido e disputado em Rondônia.

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