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porto velho, sexta-feira 9 de outubro de 2026

PORTO VELHO-RO: A derrota de Expedito Netto na disputa pelo Governo de Rondônia aprofundou o encolhimento da esquerda no Estado. Em um ambiente cada vez mais conservador e dominado pelo avanço do PL, o PT sai das urnas reduzido a pó e passa a depositar em Fátima Cleide, eleita neste pleito, e Cláudia de Jesus, reeleita, a missão de reorganizar o campo progressista.
As duas se tornam, na prática, as principais referências petistas em Rondônia. A legenda perdeu capilaridade, presença nos municípios e força nas grandes disputas eleitorais, um processo iniciado com a ascensão do bolsonarismo e ampliado nesta eleição.
A candidatura de Netto não conseguiu romper a rejeição enfrentada pela esquerda nem tornar o PT competitivo diante das principais forças conservadoras. O resultado confirmou uma realidade já conhecida: há anos o partido deixou de protagonizar as grandes disputas estaduais.
Nesse cenário, Fátima Cleide e Cláudia de Jesus passam a exercer um papel que vai além dos próprios mandatos.
Depois longo anos fora do poder, Fátima retorna ao cenário político carregando o peso de sua trajetória como ex-senadora e uma das figuras mais conhecidas da esquerda rondoniense. Terá pela frente o desafio de ajudar a reconstruir uma legenda que perdeu espaço e influência no interior.
Cláudia, fortalecida pela reeleição, representa a continuidade de um trabalho de base que ainda consegue manter o PT competitivo em determinados segmentos do eleitorado. Sua presença no Legislativo será estratégica para qualquer tentativa de reorganização partidária.
A tarefa, no entanto, é difícil. A direita consolidou domínio político e eleitoral em Rondônia, enquanto nomes tradicionais da esquerda tiveram desempenho fraco nas urnas, reduzindo ainda mais o espaço progressista.
Para reagir, o PT precisará ir além da preservação de mandatos. Terá de reconstruir bases, formar novas lideranças, retomar o diálogo com o interior e apresentar uma agenda capaz de conversar com um eleitorado majoritariamente conservador, sem transformar a disputa política em confronto permanente.
Hoje, Fátima Cleide e Cláudia de Jesus representam as principais esperanças de uma esquerda que tenta sair do ostracismo e voltar a ter peso real na política rondoniense. Para analistas políticos, será um desafio e tanto.