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porto velho, quinta-feira 29 de outubro de 2026

Homens de meia-idade que consomem mais proteínas de origem animal tendem a apresentar níveis mais baixos de testosterona total no sangue, enquanto o consumo de proteínas vegetais está associado a concentrações mais altas do hormônio.
É o que aponta um estudo publicado na revista científica International Journal of Food Sciences and Nutrition.
A pesquisa analisou dados de 2.546 homens finlandeses, com idades entre 42 e 60 anos, e identificou associações entre as fontes de proteína presentes na alimentação e as concentrações de testosterona total e de SHBG (globulina ligadora de hormônios sexuais), uma proteína que transporta hormônios sexuais no sangue.
Os participantes registraram os alimentos consumidos durante quatro dias, sendo três dias úteis e um dia do fim de semana. Os pesquisadores estimaram a ingestão de proteínas totais e separaram as fontes animais e vegetais.
Também foram analisadas categorias específicas, como carnes, peixes, ovos, laticínios, cereais, legumes, sementes e castanhas.
As concentrações hormonais foram avaliadas a partir de amostras de sangue.
Para interpretar os resultados, a equipe considerou outros fatores que poderiam influenciar as associações, como idade, consumo de álcool, tabagismo, índice de massa corporal, atividade física e ingestão de fibras e gorduras.
Os dados utilizados foram coletados entre 1984 e 1989, durante a avaliação inicial de um estudo populacional realizado na região de Kuopio, no leste da Finlândia.
Na comparação entre os grupos com maior e menor consumo de proteína animal, os participantes com maior ingestão apresentaram, em média, concentração de testosterona total 1,2 nanomol por litro mais baixa.
A concentração de SHBG também foi menor nesse grupo, com uma diferença média de 3,0 nanomol por litro.
No sentido oposto, o maior consumo de proteínas vegetais foi associado a níveis mais altos de testosterona total: a diferença entre os grupos com maior e menor ingestão foi de 1,1 nanomol por litro.
Para a SHBG, a diferença foi de 3,0 nanomol por litro a mais entre os participantes com maior consumo de proteína vegetal.
As associações variaram conforme o alimento analisado. O consumo de proteínas provenientes de laticínios e laticínios fermentados, como iogurte e queijo, foi associado a concentrações mais baixas de testosterona total.
Já as proteínas de peixes e ovos não apresentaram associações estatisticamente significativas com o hormônio após os ajustes realizados pelos pesquisadores.
A testosterona livre, que corresponde à parcela do hormônio não ligada a proteínas transportadoras, apresentou resultados menos consistentes.
A associação positiva identificada foi com proteínas vegetais de fontes diferentes dos cereais, como legumes, sementes, castanhas, frutas e cogumelos.
Os pesquisadores destacam que as diferenças observadas podem refletir não apenas a fonte de proteína, mas também outros aspectos da alimentação e do estilo de vida.
Mesmo após ajustes estatísticos, não é possível descartar completamente a influência de fatores não avaliados.
Outro limite é que a testosterona e a SHBG foram medidas em um único momento. Além disso, a população analisada era formada por homens brancos de meia-idade do leste da Finlândia, o que restringe a possibilidade de aplicar os resultados diretamente a outros grupos.
Os pesquisadores afirmam que estudos longitudinais e pesquisas de intervenção, nas quais a alimentação é modificada de forma controlada, são necessários para esclarecer se existe uma relação causal e quais mecanismos biológicos podem estar envolvidos.