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porto velho, domingo 22 de março de 2026

Lula (PT) assumiu uma estratégia de risco para não ficar sem palanque no maior colégio eleitoral do país.
Sacou da cartola (e do cargo) seu ministro da Fazenda e mandou para o sacrifício. Fernando Haddad (PT) terá a dura missão de enfrentar Tarcísio de Freitas (Republicanos) em um estado que costuma dar amplo favoritismo aos candidatos à reeleição (Geraldo Alckmin e José Serra, nos tempos do PSDB, puxam a fila).
No lugar de Haddad fica Dario Durigan, que já trabalhou como diretor de Políticas Públicas do WhatsApp e atuava como número 2 da equipe econômica.
Tarcísio corre como favorito por incorporar a pauta do bolsonarismo-raiz, popular no interior paulista, com forte discurso voltado ao agro e à segurança pública. Conta a favor dele (e dos antecessores) a leniência da cobertura da imprensa, que costuma ser implacável com o governo federal e as prefeituras – mas deixa os chefes dos executivos estaduais jogarem sem marcação cerrada. Nessa que tem a máquina leva vantagem. Pode contar qualquer história – como a de que é um bom gestor – que cola sem grandes contestações.
Haddad sabe que a parada será duríssima, mas a função dele ali é outra. É garantir a Lula um palanque onde o PT já reinou na capital e região metropolitana, mas vem perdendo espaço ano a ano. No interior o jogo é ainda mais pesado. Por isso, já circulam rumores de que o vice na chapa pode ser alguém ligado ao agronegócio.
Em 2022, Tarcísio obteve 7,9 milhões no interior e Haddad, 4,7 milhões. (55% a 45%).
Evitar prejuízos nessa base pode fazer diferença na disputa nacional.
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Falta definir o nome. Precisa ser alguém que aceite fazer a interlocução com um eleitor historicamente avesso ao campo progressista em troca de uma derrota quase certa.