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    porto velho, sábado 21 de março de 2026

Sete nomes, duas cadeiras ao Senado, e um campo de batalha político em Rondônia

A disputa, portanto, não será apenas entre nomes — será entre narrativas, ideologias e projetos de poder. Cada voto carregará mais do que preferência individual...


Redação

Publicada em: 21/03/2026 11:43:30 - Atualizado

Foto: edição Rondonoticias

PORTO VELHO - RO - Rondônia entrou, definitivamente, no epicentro de uma disputa que ultrapassa os limites do estado e ecoa no tabuleiro nacional. Com duas cadeiras em jogo no Senado, sete pré-candidatos se alinham para uma eleição que promete ser menos uma corrida eleitoral e mais um confronto de projetos de país.

Após as recentes movimentações partidárias, o cenário ganhou contornos mais nítidos — e mais tensos. Estão na disputa Fernando Máximo e Bruno Scheid, ambos pelo PL, Amir Lando e Confúcio Moura pelo MDB, Mariana Carvalho, Sílvia Cristina pelo PP e Acir Gurgacz pelo PDT. Um elenco que mistura experiência, capital político consolidado e novas apostas, formando uma equação imprevisível.

Nos bastidores, a leitura é unânime: dificilmente haverá espaço para neutralidade. A disputa pelas duas vagas se desenha como um funil estreito, onde alianças, rejeições e transferências de voto serão decisivas. Sete nomes para apenas duas cadeiras — e, como em toda arena política, não há espaço para todos atravessarem a linha de chegada.

A ausência do governador Marcos Rocha da disputa, ao reafirmar sua permanência no cargo até o fim do mandato, não esfriou o jogo — ao contrário, retirou uma peça pesada do tabuleiro e redistribuiu forças, tornando o cenário ainda mais volátil. Sem um nome hegemônico, a eleição tende a ser fragmentada, marcada por embates diretos e pela pulverização de votos.

Mas o que está em jogo vai além das fronteiras de Rondônia. Em discursos e análises, cresce a percepção de que a eleição para o Senado pode ter peso igual — ou até superior — ao da própria corrida presidencial. O Senado, hoje, é visto como trincheira institucional: de um lado, aqueles que defendem uma atuação mais firme da Casa como freio a decisões do Supremo Tribunal Federal; de outro, os que apostam na manutenção de uma maioria alinhada ao atual governo federal.

Nesse cenário, Rondônia se transforma em microcosmo do Brasil. À direita, o discurso é de contenção, de enfrentamento ao que classificam como excessos institucionais. À esquerda, a estratégia é garantir governabilidade e preservar o campo político que sustenta o Planalto, ainda que sob sinais de desgaste.

A disputa, portanto, não será apenas entre nomes — será entre narrativas, ideologias e projetos de poder. Cada voto carregará mais do que preferência individual: será um posicionamento diante do rumo do país.

No fim, o eleitor rondoniense terá nas mãos uma escolha que ecoa como sentença política. Em um cenário de sete candidatos e apenas duas vagas, o Senado deixa de ser apenas uma Casa legislativa e se transforma, mais uma vez, no fiel da balança da República.


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