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    porto velho, terça-feira 27 de outubro de 2026

Flávio perde eleição, mas PL sai fortalecido das urnas com maioria na Câmara e do Senado

Com as maiores bancadas da Câmara e do Senado, partido ganha força; Michelle, Valdemar e Tarcísio podem disputar espaço na direita


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Publicada em: 26/10/2026 09:52:13 - Atualizado


A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, neste domingo (25), abre uma nova disputa pelo comando da oposição no Brasil. Embora não tenha conquistado o Palácio do Planalto, o Partido Liberal (PL) sai fortalecido das urnas e terá as maiores bancadas individuais da Câmara dos Deputados e do Senado Federal a partir de 2027.

O resultado coloca o senador diante de um desafio político para manter o protagonismo conquistado durante a campanha sem um mandato parlamentar. Flávio encerra seu período no Senado em 31 de janeiro de 2027, após oito anos no cargo, e não disputou a reeleição pela vaga do Rio de Janeiro.

Ao mesmo tempo, outras lideranças da direita chegam ao período pós-eleitoral com espaço para influenciar os rumos do grupo. Entre elas estão o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Em entrevista para o InfoMoney, o cientista político Jorge Chaloub, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), disse que a disputa pela sucessão de Jair Bolsonaro continuará sendo central para o futuro da direita, independentemente do resultado da eleição presidencial.

“O PL não é só do bolsonarismo, o PL é do bolsonarismo e do Valdemar”, afirmou o pesquisador, ao destacar a influência do dirigente partidário sobre a legenda.

PL cresce no Congresso e fortalece Valdemar Costa Neto

O PL elegeu 121 deputados federais e terá 28 senadores na próxima legislatura, consolidando-se como a maior bancada individual nas duas Casas do Congresso Nacional.

A representação parlamentar amplia a capacidade do partido de negociar cargos, influenciar a agenda legislativa e participar das decisões sobre o funcionamento do Congresso. A legenda também terá peso nas articulações para a escolha dos presidentes da Câmara e do Senado e na composição das comissões parlamentares.

O tamanho das bancadas fortalece Valdemar Costa Neto, que terá papel importante na definição das estratégias do partido e na negociação com outras forças políticas.

Além da representação parlamentar, o dirigente administra uma estrutura partidária com acesso a recursos públicos de financiamento político. Esses fatores podem ampliar sua influência sobre a escolha do próximo nome da direita para disputar a Presidência em 2030.

Na avaliação de Chaloub, o fortalecimento da legenda não significa que todos os interesses do partido estejam concentrados na família Bolsonaro. A convivência entre o grupo do ex-presidente e os dirigentes partidários deverá influenciar as decisões dos próximos anos.

Michelle Bolsonaro pode ganhar espaço após derrota de Flávio

A derrota do senador também pode abrir espaço para Michelle Bolsonaro nas articulações da direita. A ex-primeira-dama tem influência entre setores conservadores e poderá ampliar sua participação nas decisões políticas do grupo.

Chaloub avalia que a relação entre Michelle e Valdemar Costa Neto pode ser relevante nesse processo.

“Caso o Flávio não ganhe, uma grande vitoriosa da eleição pode ser a Michelle Bolsonaro, que agora vai ter o Valdemar da Costa Neto como aliado”, afirmou.

Michelle e Flávio tiveram divergências durante o processo de definição da candidatura presidencial. As diferenças perderam intensidade depois que o nome do senador foi consolidado, mas poderão voltar a influenciar as negociações sobre o futuro da direita.

Contudo, a eventual ampliação do espaço de Michelle dependerá das alianças que conseguir construir e da relação com as demais lideranças do PL e do bolsonarismo.

Flávio Bolsonaro ficará sem mandato a partir de fevereiro

Flávio Bolsonaro deixará o Senado em 31 de janeiro de 2027. Como concorreu à Presidência, não disputou a renovação de sua cadeira pelo Rio de Janeiro.

Será a primeira vez desde 2003, quando assumiu uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), que o filho mais velho de Jair Bolsonaro ficará sem um cargo eletivo.

A ausência de mandato pode reduzir sua participação direta nas negociações parlamentares, mas não significa necessariamente o fim de sua influência política. A votação presidencial, a exposição nacional conquistada durante a campanha e a relação com o pai poderão continuar sendo ativos para o senador.

O desafio será preservar os apoios reunidos durante a disputa e manter espaço dentro do PL, que terá uma estrutura parlamentar ampliada e outras lideranças interessadas em participar das decisões sobre a oposição ao governo Lula.

Flávio também precisará lidar com a definição dos próximos passos políticos de Jair Bolsonaro, que continuará preso após condenação de 27 anos pelo ato golpista de 8 de janeiro, cuja escolha foi determinante para consolidar sua candidatura em 2026.

Tarcísio de Freitas entra no radar para 2030

Outro nome que poderá ganhar espaço na reorganização da direita é o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

À frente do maior colégio eleitoral do país, Tarcísio permanecerá em uma posição de destaque no cenário nacional. Durante a campanha presidencial de 2026, ele abriu mão de disputar o Palácio do Planalto e apoiou Flávio Bolsonaro.

A decisão não encerrou as especulações sobre uma candidatura própria em 2030. Ao fim do segundo mandato como governador, Tarcísio poderá avaliar a possibilidade de disputar a Presidência, dependendo das alianças políticas e do cenário eleitoral.

A relação entre o governador e o grupo de Bolsonaro será uma das variáveis da reorganização da direita. Embora tenha apoiado Flávio, Tarcísio também possui interlocução com setores políticos e econômicos que podem defender um projeto próprio para a próxima eleição presidencial.

A definição de um candidato competitivo dependerá, entre outros fatores, da capacidade de reunir diferentes correntes da direita em torno de um mesmo nome.

Bolsonarismo pode enfrentar divisões internas

O cientista político Murilo Medeiros, professor da Universidade de Brasília (UnB), também avaliou para o InfoMoney que o crescimento eleitoral da direita poderá intensificar disputas internas.

A ampliação da presença do grupo no Congresso e nos governos estaduais aumenta o número de lideranças interessadas em exercer influência nacional. Nesse cenário, poderão surgir divergências entre setores mais pragmáticos, interessados em ampliar alianças, e grupos que defendem uma atuação mais ideológica.

O bolsonarismo reúne interesses distintos, representados por integrantes da família Bolsonaro, governadores, parlamentares e dirigentes partidários. A derrota presidencial não elimina essas diferenças e pode tornar mais evidente a disputa por espaço e influência.

A escolha do candidato para 2030 dependerá da capacidade dessas lideranças de construir acordos e evitar uma fragmentação que enfraqueça a oposição.

PL terá força para enfrentar o governo Lula

Apesar da derrota de Flávio Bolsonaro, o PL terá instrumentos importantes para fazer oposição ao quarto mandato de Lula.

Com 121 deputados federais e 28 senadores, o partido poderá dificultar a aprovação de propostas do governo e influenciar negociações sobre projetos de interesse nacional.

No Senado, a legenda terá força para participar das articulações sobre propostas de emenda à Constituição (PECs). Esse tipo de mudança exige o apoio de pelo menos 49 dos 81 senadores, em dois turnos de votação. Por isso, a aprovação de alterações constitucionais dependerá de acordos com parlamentares de outras legendas.

Entretanto, o tamanho das bancadas não garante ao PL o controle das duas Casas legislativas. A eleição das presidências da Câmara e do Senado e a distribuição de cargos dependem de negociações com os demais partidos.

A legenda também terá de decidir como equilibrar a atuação parlamentar, a defesa do legado de Jair Bolsonaro e os interesses de lideranças que poderão disputar espaço na eleição presidencial seguinte.


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