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    porto velho, terça-feira 27 de outubro de 2026

Pesquisas erraram no 1º e 2º turno e provocam crise de confiança nos institutos eleitorais

Divergências entre levantamentos e resultados das urnas reacendem críticas sobre metodologias, margens de erro e confiabilidade dos números apresentados aos eleitores.


uol

Publicada em: 26/10/2026 10:04:10 - Atualizado


As eleições presidenciais de 2026 reacenderam um debate sobre a credibilidade das pesquisas eleitorais no Brasil. Depois de divergências entre os levantamentos divulgados e os resultados registrados nas urnas no primeiro e no segundo turno, institutos passaram a enfrentar questionamentos sobre a precisão de suas estimativas e a capacidade de retratar o comportamento do eleitorado brasileiro.

No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, a maioria das pesquisas nacionais apontava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) numericamente à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL). Entretanto, a apuração terminou com Flávio em primeiro lugar, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Dos 15 levantamentos analisados pelo Congresso em Foco, apenas cinco indicavam o candidato do PL na liderança.

A situação provocou críticas porque parte dos institutos não conseguiu captar adequadamente a votação de Flávio Bolsonaro. Uma análise comparativa mostrou que o candidato recebeu aproximadamente 3,3 pontos percentuais a mais do que a média das pesquisas, enquanto o desempenho de Lula ficou próximo do estimado.

No segundo turno, realizado no domingo (25), novas divergências foram registradas. Levantamentos divulgados na véspera da votação, como os dos institutos Gerp e Veritá, apontavam Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula. A Gerp apresentou 52% dos votos válidos para Flávio e 48% para Lula, enquanto a Veritá indicou 51,56% contra 48,44%. Apesar disso, Lula venceu a eleição e conquistou seu quarto mandato presidencial.

As diferenças entre pesquisas e urnas, especialmente quando envolvem a ordem de chegada dos candidatos, alimentam questionamentos sobre os métodos utilizados pelos institutos. Entre os fatores discutidos estão a composição das amostras, a representatividade regional, a dificuldade de identificar eleitores que decidem o voto nos últimos dias e os critérios de ponderação estatística.

O problema também envolve a maneira como os resultados são apresentados à população. Embora pesquisas sejam levantamentos de intenção de voto realizados em determinado período, muitas vezes seus números acabam interpretados como previsões definitivas, criando expectativas que podem não se confirmar nas urnas.

Especialistas em metodologia eleitoral ressaltam, entretanto, que uma pesquisa não tem a finalidade de antecipar com exatidão o resultado de uma eleição. Trata-se de uma estimativa sujeita a incertezas, mudanças de preferência e limitações estatísticas. Além disso, nem todos os institutos apresentaram o mesmo desempenho, e alguns chegaram mais perto dos resultados efetivos.

A repetição de divergências relevantes, contudo, reforça a necessidade de maior transparência. A divulgação detalhada das metodologias, dos períodos de coleta, dos critérios de seleção dos entrevistados e das comparações posteriores com os resultados oficiais é fundamental para que o eleitor possa avaliar a qualidade de cada levantamento.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabelece regras para o registro e a divulgação das pesquisas, mas esclarece que não realiza controle prévio sobre os resultados apresentados pelos institutos.

Diante desse cenário, cresce o argumento de que pesquisas eleitorais não devem ser tratadas como verdades absolutas ou utilizadas isoladamente para antecipar vencedores. Os episódios de 2026 demonstram a importância de analisar diferentes levantamentos, considerar suas margens de incerteza e cobrar explicações quando houver diferenças expressivas entre as estimativas e os votos efetivamente registrados.

A credibilidade das pesquisas eleitorais depende agora não apenas da divulgação de novos números, mas também da capacidade dos institutos de explicar seus erros, aperfeiçoar seus métodos e demonstrar ao eleitorado que suas informações continuam sendo instrumentos úteis para compreender o cenário político brasileiro.


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