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porto velho, quarta-feira 28 de outubro de 2026

A suposta rapidez da medida, atribuída à Polícia Federal e autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, provocou questionamentos no entorno do senador e levantou discussões sobre a atuação das instituições após a disputa presidencial.
A suposta apreensão do passaporte do senador Flávio Bolsonaro (PL), após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, tornou-se alvo de controvérsia diante de informações sobre o intervalo entre a confirmação matemática do resultado eleitoral e a apresentação de um pedido da Polícia Federal.
Segundo o relato divulgado, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou matematicamente a derrota do senador às 21h09 de domingo (25). Apenas sete minutos depois, às 21h16, a Polícia Federal teria assinado o pedido de apreensão do documento.
Ainda conforme essas informações, o ministro Alexandre de Moraes teria autorizado a medida naquela mesma noite, sem manifestação prévia da Procuradoria-Geral da República (PGR). A ordem teria sido cumprida na manhã seguinte, durante uma visita de Flávio ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A sequência dos acontecimentos provocou questionamentos entre aliados do senador, que associaram a proximidade dos horários à possibilidade de motivação política. Entretanto, a coincidência temporal, isoladamente, não comprova irregularidade ou perseguição.
Reportagem publicada nesta terça-feira (27), com informações atribuídas à jornalista Malu Gaspar, de O Globo, aponta que a representação da PF tinha 16 páginas e foi assinada digitalmente às 21h16. A investigação já estava em andamento antes da conclusão das eleições, embora a formalização do pedido tenha ocorrido imediatamente após a confirmação do resultado.
A Polícia Federal fundamentou a solicitação em elementos de uma investigação envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro e possíveis vínculos financeiros do senador com uma empresa sediada em Portugal. Também foi considerada uma declaração de Eduardo Bolsonaro sugerindo que o irmão deixasse o Brasil em caso de derrota eleitoral.
Flávio reagiu publicamente, classificando a decisão como uma tentativa de intimidação. O senador negou que pretendesse deixar o Brasil e questionou se a mesma providência teria sido adotada caso tivesse vencido a eleição presidencial.
A controvérsia envolve tanto a rapidez da decisão quanto seus fundamentos jurídicos. A determinação judicial tramita sob sigilo, o que limita o acesso público à íntegra dos argumentos apresentados pela Polícia Federal e examinados pelo Supremo Tribunal Federal.
O caso ganhou um novo desdobramento nesta terça-feira (27): segundo informações divulgadas pelo Estadão, a Polícia Federal cancelou os passaportes do senador após o vencimento do prazo de 24 horas para a entrega dos documentos. A corporação também informou que comunicaria o descumprimento da ordem ao ministro Alexandre de Moraes. Até a publicação da reportagem, não havia mandado de prisão contra Flávio Bolsonaro.