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    porto velho, domingo 31 de agosto de 2025

Justiça anula condenação de policial aposentado envolvido na morte de Eliza Samudio

Tribunal do Júri havia condenado José Lauriano de Assis Filho, Zezé, a 22 anos de prisão pelos crimes.


G1

Publicada em: 29/09/2022 14:15:48 - Atualizado


BRASIL - O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) anulou a condenação do policial civil aposentado José Lauriano de Assis Filho, o Zezé. Ele havia sido condenado a 22 anos de prisão pelo homicídio de Eliza Samudio e sequestro do Bruninho, filho do goleiro Bruno com a modelo.

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) informou que, no dia 24 de agosto deste ano, "o TJMG deu parcial provimento ao recurso defensivo de um dos acusados de concorrer para o feminicídio de Eliza Samudio, por entender que houve nulidade no julgamento pelo plenário do Júri."

E que no processo julgado, o TJMG identificou que o Juiz Presidente do Tribunal do Júri de Contagem submeteu o acusado a novo julgamento, após ele ter sido absolvido por clemência.

"Na ocasião do Júri, o Juiz Presidente entendeu que os jurados não poderiam reconhecer que o réu concorreu para o crime e, ao mesmo tempo, o absolverem, pois isso significaria uma contradição nas respostas. A defesa, entretanto, argumentou que é legítimo aos jurados absolverem o réu por clemência fundada no frágil estado de saúde que hoje ele apresenta e que a repetição do julgamento induziu a resposta acusatória", disse o MPMG.

No entendimento do MPMG, embora a possibilidade de absolvição por clemência seja de duvidosa constitucionalidade, tanto é assim que está em discussão no Supremo Tribunal Federal (Tema 1087), não é possível induzir os jurados, por meio da repetição de votação, respostas neste ou naquele sentido.

"Com a decisão do TJMG, o processo volta à Comarca de Contagem, oportunidade em que será reaberto prazo para o Promotor de Justiça avaliar se recorrerá da decisão que absolveu José Lauriano por clemência", destacou o MPMG.

O julgamento de Zezé ocorreu no Fórum de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em 2021. Onze testemunhas foram ouvidas, incluindo o goleiro Bruno Fernandes e Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, que participaram por videoconferência. O Tribunal do Júri decidiu pela condenação do réu, que foi sentenciado a 22 anos de prisão por homicídio e sequestro.

José Lauriano de Assis Filho foi condenado a 22 anos de prisão pela Justiça.

A denúncia

De acordo com a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais, no dia 4 de junho de 2010, Zezé sequestrou Eliza e Bruninho, filho dela com o goleiro Bruno Fernandes, então com quatro meses, com a ajuda do primo do jogador, Jorge Luiz Lisboa Rosa. Segundo o MP, a ação foi acertada com o goleiro e Luiz Henrique Romão, o Macarrão.

Ainda conforme a denúncia, Zezé também ajudou a manter Eliza e o bebê em cárcere privado até o dia 10 de junho, quando a mulher foi assassinada. O policial aposentado teria participado do assassinato dela, ao lado de Marcos Aparecido de Souza, o Bola, e corrompido o então adolescente Jorge Luiz Lisboa Rosa a ajudá-lo a ocultar o cadáver de Eliza.

O MP sustentou ainda que, em 16 de julho de 2011, Zezé e Gilson Costa ameaçaram a testemunha Jaílson Alves de Oliveira dentro da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Belo Horizonte. Jaílson tinha sido companheiro de cela de Bola na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, e, por isso, ficou sabendo de detalhes da morte de Eliza.

A Justiça chegou a decretar a prisão preventiva do policial civil aposentado, em julho de 2015, mas ele não foi encontrado e passou a ser considerado foragido. Em 12 de agosto de 2015, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) concedeu habeas corpus a Zezé e deu direito a ele de responder ao processo em liberdade.

Outros envolvidos

O goleiro Bruno Fernandes foi condenado a 22 anos e 3 meses pelo assassinato e ocultação de cadáver de Eliza Samudio e pelo sequestro e cárcere privado do filho Bruninho. A pena foi aumentada porque o goleiro foi considerado o mandante do crime e reduzida pela confissão do jogador.

Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, foi condenado a 15 anos de prisão por homicídio qualificado, em 2012.

Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, foi condenado a 22 anos de prisão pela morte de Eliza Samudio e por ocultação do cadáver.

Elenilson da Silva e Wemerson Marques, o Coxinha, foram condenados por sequestro e cárcere privado do filho de Elisa Samudio em 2013. A pena de Elenilson foi de três anos em regime aberto, e a de Wemerson, de dois anos e meio também em regime aberto.

Fernanda Castro, que era namorada de Bruno, foi condenada, em primeira instância, a três anos de prisão, mas a pena foi substituída por prestação pecuniária e de serviços à comunidade.


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