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    porto velho, domingo 1 de março de 2026

'Podemos' vive disputa interna pelo Governo e testa maturidade política em RO

O movimento repentino de Camargo embaralha o cenário interno e exige do partido uma dose elevada de maturidade política para não descer ladeira abaixo...


Redação

Publicada em: 01/03/2026 11:45:14 - Atualizado

PORTO VELHO - RO - O partido Podemos em Rondônia atravessa um momento de tensão silenciosa, mas estratégica no porão das suas hostes. A decisão do deputado estadual Delegado Camargo de se lançar como pré-candidato ao Governo do Estado colocou luz sobre uma disputa que já vinha sendo desenhada há algum tempo nos bastidores pelo correligionário também Delegado Flori, prefeito de Vilhena, cone sul do Estado.

O movimento repentino de Camargo embaralha o cenário interno e exige do partido uma dose elevada de maturidade política para não descer ladeira abaixo. O pleito é legítimo. A democracia interna é saudável. Mas quando dois nomes da mesma legenda passam a disputar o mesmo espaço sem alinhamento prévio e sem capilaridade política estadual, o risco deixa de ser apenas interno e passa a ser eleitoral.

Ambos possuem trajetórias na segurança pública e capital político regionalizado. No entanto, nenhum dos dois construiu, até o momento, força de votos espraiada pelos rincões rondonienses. Fora de suas bases naturais, dependem diretamente da força e da liderança do prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, principal referência do Podemos em Rondônia. É justamente aí que reside o ponto sensível.

Embora o partido tenha musculatura política sob a condução de Léo Moraes, a legenda ainda trabalha sua consolidação estadual. O Podemos não apresenta presença estruturada em todos os municípios nem possui uma rede orgânica capaz de sustentar dois projetos majoritários simultâneos de uma tacada só e a antecipação da disputa cria ruídos nada saudável para a sigla.

No eleitorado, a leitura pode ser simples: dois pré-candidatos disputando o mesmo espaço sinalizam improviso e ausência de coordenação estratégica. Em política, desorganização interna quase sempre cobra preço externo. E preço alto.

Se por um lado a pluralidade fortalece o debate, por outro exige liderança firme para evitar que a disputa interna se transforme em divisão pública. Sem harmonização, o partido corre o risco de desgastar seu principal ativo político antes mesmo da largada oficial.

O desafio do Podemos agora não é apenas escolher um nome. É provar que tem maturidade para administrar ambições sem comprometer o projeto coletivo.

A disputa é legítima. O teste, no entanto, será de comando.


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