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    porto velho, terça-feira 14 de abril de 2026

Candidatura de Expedito Netto imposta por Lula goela abaixo não pegou em Rondônia

O principal ponto de tensão não está apenas no ambiente conservador do estado, historicamente refratário ao PT, mas na própria biografia recente do pré-candidato...


Redação

Publicada em: 14/04/2026 09:42:55 - Atualizado

PORTO VELHO (RO) — Lançada com a pretensão de reposicionar a esquerda no tabuleiro eleitoral de Rondônia, a pré-candidatura de Expedito Netto ao governo pelo Partido dos Trabalhadores começa a dar sinais de enfraquecimento antes mesmo de ganhar tração. Nos bastidores e fora deles, a avaliação é direta: a candidatura ainda não encontrou discurso capaz de sustentar sua própria existência política.

O principal ponto de tensão não está apenas no ambiente conservador do estado, historicamente refratário ao PT, mas na própria biografia recente do pré-candidato. Netto terá de enfrentar um questionamento incontornável: como justificar sua filiação e candidatura por um partido que tem como marco identitário a defesa também da ex-presidente Dilma Rousseff, se ele próprio votou favoravelmente ao impeachment em 2016 — episódio que o partido classifica, até hoje, como golpe institucional?

Não se trata de uma contradição periférica. É uma fissura estrutural entre o passado parlamentar e o presente partidário. E, em política, esse tipo de incoerência raramente passa incólume.

Internamente, o cenário tampouco é confortável. Relatos de bastidores apontam resistência significativa dentro do próprio PT. Militantes históricos — alguns mais silenciosos, outros mais explícitos — demonstram dificuldade em assimilar a candidatura. Ainda que o movimento tenha recebido do próprio Luiz Inácio Lula da Silva, o entusiasmo não acompanhou a decisão.

Um dirigente ouvido sob reserva resumiu, em tom de ironia, o clima entre os correligionários: “Vamos tentar avermelhá-lo”. A frase, embora leve na forma, revela o desconforto de uma base que ainda não reconhece no pré-candidato os traços ideológicos que historicamente definem o partido.

O problema se agrava quando a candidatura deixa o campo interno e encontra o eleitorado de Rondônia. Em um estado de perfil majoritariamente conservador e alinhado ao bolsonarismo, carregar a bandeira do PT já representa um desafio por si só. Fazê-lo com um histórico político de um candidato construído, em parte, em oposição à legenda, amplia a dificuldade.

Além disso, episódios recentes contribuíram para o desgaste. A aproximação pública com figuras como José Dirceu, durante eventos em Brasília, foi mal recebida em setores do eleitorado local, reforçando resistências já existentes.

Sem mobilização nas ruas, sem eco consistente dentro do próprio partido e sem narrativa capaz de resolver suas contradições centrais, a pré-candidatura de Expedito Netto parece ter saído das manchetes com a mesma rapidez com que entrou. No jogo político, onde percepção é força, o silêncio pode ser mais revelador do que qualquer discurso.

Por ora, o projeto petista em Rondônia segue mais como uma construção forçada do que como um movimento orgânico. E, sem conexão real com sua base — interna e externa —, corre o risco de se tornar apenas mais uma peça deslocada em um tabuleiro que exige, acima de tudo, coerência e identidade com a cor vermelha, pura.


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