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    porto velho, quarta-feira 5 de agosto de 2026

O Dia na História - compilação do jornalista Lúcio Albuquerque

Trocou voto por chapéus e sumiu...


Lúcio Albuquerque

Publicada em: 05/08/2026 14:20:03 - Atualizado

Enjolras, histórico dirigente do MDB/PMDB, liderou oposição a Múcio contrariando o líder Jerônimo Santana

Em 1981 ele desembarcou aqui à sombra do “soba” do PMDB Jerônimo Santana, deputado federal por três legislaturas seguidas. Em 1983 eu encontro em Brasília o deputado federal mais votado na eleição do ano anterior e o questiono por qual motivo ele não voltou aqui desde o dia da diplomação.

“Não voltei porque não devo nada a Rondônia”. E sem deixar que eu o contradisse, continuou. “Todos os meus quase 25 mil votos eu comprei ou troquei por coisas que as pessoas pediam”, disse o deputado Múcio Athayde (1936/2010), o que era comum ser ouvido tanto de membros do PMDB quanto dos adversários, tanto por quem o apoiavam quanto pelos que lhe faziam oposição dentro do PMDB.

Na época foi também comum ouvir-se nos meios peemedebistas, e de outros partidos, citações de que havia um acordo de Múcio com Jerônimo Santana em troca de apoio financeiro à campanha de Jerônimo ao Senado, foi-lhe dado a secretaria geral do PMDB regional.

A vinda do ex-deputado federal mineiro Múcio Athayde (MG – cassado em 1964) para Rondônia foi patrocinada pelo então deputado federal Jerônimo Santana, presidente do PMDB-RO, e sua nomeação como secretário-geral da sigla geraram fortes resistência da velha guarda da sigla, à frente o ex-secretário-geral Enjolras Araújo e os vereadores Cloter Mota e Paulo Struthos.

Múcio Athayde de chapéu, enxoval etc, fez do voto uma peça de escambo em RO

Ainda recentemente ouvi de uma importante liderança feminina do PMDB, um citação feita muito durante a campanha de 1982 de que Múcio trouxe “malas de dinheiro” e que “comprou não só os votos, mas os apoiamentos”, além de adquirir o jornal “O Guaporé” – naquele período circulavam em Porto Velho os diários Alto Madeira, A Tribuna, o Imparcial, O Guaporé e o Estadão, além da Rádio Parecis.

Em sua campanha e mandato, Athayde popularizou o uso do chapéu de palha, símbolo pessoal que lhe rendeu o apelido de “Homem do Chapéu”. O estilo foi posteriormente adotado por políticos de Rondônia, como Ivo Cassol, marcando presença estética na política regional.

“Na campanha de 1982 (o Múcio) arrendou o jornal O Guaporé e a Rádio Parecis, em Porto Velho, o que reforçou sua imagem polêmica no Estado”, lembrou o jornalista Calos Sperança que foi editor de O Guaporé.


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