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porto velho, segunda-feira 21 de setembro de 2026

PORTO VELHO - RO - A temperatura subiu de vez entre Adailton Fúria (PSD) e Marcos Rogério (PL). Na última sexta-feira, 18, os dois candidatos ao Governo de Rondônia protagonizaram alguns dos momentos de maior confronto político no debate promovido pelo Rondoniaovivo, em Porto Velho.
O encontro reuniu cinco candidatos no Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e foi estruturado em blocos de confrontação direta, justamente o formato que abriu espaço para os adversários se enfrentarem frente a frente.
Fúria não evitou Marcos Rogério. Ao contrário. Sempre que o sorteio lhe permitiu escolher quem responderia às suas perguntas, voltou suas baterias para o candidato do PL. O resultado foi um duelo direto, com provocações dos dois lados, ainda que sem ultrapassar os limites da civilidade.
Em um dos momentos mais tensos, Marcos Rogério trouxe para o debate o episódio envolvendo o ex-prefeito de Ji-Paraná Isaú Fonseca. Fúria respondeu levando ao palco outro assunto incômodo: a recente operação da Polícia Federal que atingiu o prefeito de Nova Mamoré, Marcélio Brasileiro, apontado por veículos locais como coordenador-geral da campanha de Marcos Rogério.
A Operação Dreno, deflagrada pela Polícia Federal em 9 de setembro, investiga possível apropriação e desvio de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha utilizados nas eleições municipais de 2024. A própria PF informa que foram cumpridas medidas judiciais em Ji-Paraná, Nova Mamoré e Porto Velho. Até o momento, trata-se de investigação, não de condenação.
Marcélio Brasileiro, prefeito de Nova Mamoré pelo PL, foi identificado pela imprensa local como um dos alvos da operação e como coordenador-geral da campanha de Marcos Rogério ao Governo.
O embate da noite, porém, não começou ali.
Horas antes do debate, Fúria já havia elevado o tom contra Marcos Rogério durante entrevista ao programa A Voz do Povo, apresentado pelo jornalista Arimar Souza de Sá, na Rádio Caiari FM 103,1. Ao estabelecer diferenças entre seu perfil político e o do adversário, Fúria lançou uma provocação direta:
“Moro em Rondônia e não em Brasília. Não tenho avião, não posso comprar um Rolex e continuo humilde. Não me faço de humilde em época de eleição.”
Na mesma entrevista, o candidato do PSD reforçou que vive em Rondônia e procurou apresentar essa condição como contraste político em relação a Marcos Rogério. A declaração marcou uma mudança clara de temperatura na campanha de Fúria, que passou a direcionar ataques mais explícitos ao principal adversário do PL. A entrevista de 18 de setembro registrou ainda críticas de Fúria ao adversário e sua frase de que vive em Rondônia e não possui “avião nem Rolex”.
Poucas horas depois, os dois estavam frente a frente.
E o que havia sido dito no rádio ganhou continuação no palco do Rondoniaovivo.
Fúria mostrou que não pretende fugir da disputa direta com Rogério. Marcos Rogério, por sua vez, também respondeu levando para o confronto episódios políticos ligados ao adversário.
A estratégia dos dois começa a ficar evidente: além da apresentação de propostas, a reta final está entrando no terreno das comparações pessoais, das alianças, dos aliados e dos problemas políticos que rondam cada campanha.
O debate de sexta-feira deixou esse cenário exposto.
Fúria procura Marcos Rogério para o confronto. Rogério responde. E, à medida que a eleição se aproxima, o duelo entre PSD e PL tende a ocupar cada vez mais espaço no centro da campanha pelo Governo de Rondônia.