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    porto velho, quarta-feira 17 de agosto de 2022

Ibovespa retoma 105 mil pontos, maior patamar em 2 meses, dólar cai 1%

Principal índice da B3 encerrou em alta de 2,04%, enquanto a moeda norte-americana desvalorizou 1,05%


cnn

Publicada em: 04/08/2022 17:45:47 - Atualizado

O Ibovespa fechou em alta de 2,04%, aos 105.892,22 pontos, nesta quinta-feira (4), seu maior patamar desde 9 de junho, quando encerrou aos 107.094 pontos.

Já o dólar terminou em queda de 1,05%, cotado a R$ 5,222, sua maior desvalorização diária em uma semana.

Tanto o índice quanto a moeda norte-americana foram impactados pelas reações do mercado à sinalização do Copom de que deve encerrar o ciclo de alta de juros em breve. O Ibovespa também foi afetado positivamente por um desempenho positivo das bolsas no exterior.

Entretanto, a aversão a riscos também aumentou com os riscos de uma recessão global ganhando força. Após o BC do Reino Unido realizar a maior alta de juros desde 1995, o Banco da Inglaterra alertou para a chance de uma longa recessão a caminho, afetando o sentimento dos investidores.

Em cenários de pessimismo e cautela, o dólar tende a ser beneficiado, sendo visto como um ativo de proteção.

O Banco Central realizou neste pregão leilão de até 15 mil contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 1° de setembro de 2022. A operação do BC ajuda a dar liquidez na moeda, mas especialistas consultados pelo site apontam que o órgão poderia atuar mais para conter a volatilidade do câmbio.

Na quarta-feira (3), o dólar teve alta de 0,02%, a R$ 5,278. Já o Ibovespa avançou 0,40%, aos 103.774,68 pontos, renovando as máximas em quase dois meses.

Copom

Após elevar a taxa em 0,5 ponto percentual, para 13,75% ao ano, os integrantes do Copom deixaram em aberto a possibilidade de realizar ao menos mais uma alta na próxima reunião, em setembro. Quanto maior a Selic, mais beneficiado o real é ante o dólar, já que há uma atração maior de investimentos estrangeiros.

Paloma Brum, analista de investimentos na Toro, afirmou que “cautela” foi a palavra que o Copom utilizou para comunicar o aumento de mais 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros, “decisão que veio em linha com a expectativa majoritária do mercado”.

Para ela, diversos fatores embasam a decisão, como riscos internos e globais, que permanecem latentes e ameaçando pressionar a inflação mais adiante, além de uma busca firme dos membros do Comitê por manter bem ancoradas as expectativas dos agentes sobre a inflação futura.

Com a decisão do BC, o mercado brasileiro de ações e o mercado de câmbio tendem a refletir uma resposta positiva dos investidores na sessão desta quinta-feira, uma vez que os juros caminharam conforme o esperado, afirmou Paloma.

“Ainda assim, como o ambiente se mostra bastante desafiador quanto ao ritmo de crescimento global, outros fatores podem causar volatilidade em ambos os mercados, ofuscando parcial ou totalmente o efeito da decisão do Copom”.

Já Igor Cavaca, head de gestão de investimentos da Warren, disse que o comunicado veio mais hawkish do que esperava. “Dado uma melhora recente no cenário econômico global, com queda do preço das commodities e uma política monetária internacional menos contracionista do que o que vinha sendo esperado, entendíamos que esses fatores seriam suficientes para o Copom decidir pelo término de seu ciclo de alta, na decisão de ontem”.

Entretanto, ele afirma concordar quanto a justificativa de seguir com a política atual: a piora do arcabouço fiscal e maior incerteza quanto ao processo de desinflação em 2023.

“A interpretação que se está predominando no mercado é que de fato o Copom foi mais dovish e que não deve seguir com novas altas na Selic”. O Banco Central condicionou o fim do ciclo de alta a duas variáveis, a consolidação da desinflação e ancoragem das expectativas.