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porto velho, sábado 26 de setembro de 2026

O Flamengo poderá ser obrigado a rever o tamanho do elenco e reduzir investimentos no futebol diante do impacto financeiro provocado pelo fim das operações das casas de apostas no Brasil.
A preocupação ganhou força após o governo federal anunciar medidas para encerrar o mercado de bets no país e proibir a publicidade dessas empresas. A mudança atinge diretamente o Flamengo, que possui com a Betano um dos maiores contratos de patrocínio da história do futebol brasileiro.
O acordo prevê R$ 268,5 milhões por temporada e tem validade até o final de 2028. A Betano, porém, já havia informado ao clube sobre a possibilidade de rompimento caso as apostas fossem proibidas.
O impacto para o Flamengo vai além do patrocínio máster.
Segundo o presidente Luiz Eduardo Baptista, o clube estima uma perda de aproximadamente R$ 400 milhões por ano com o fim das bets. A conta inclui, além dos R$ 268 milhões do contrato com a Betano, outros contratos comerciais e receitas relacionadas ao mercado de apostas.
Entre os impactos apontados estão contratos de publicidade, acordos envolvendo competições e até aproximadamente 100 mil camisas produzidas com a marca da Betano, que podem não ser comercializadas.
O próprio presidente do Flamengo indicou que a nova realidade financeira deverá provocar mudanças no orçamento do clube.
Segundo Bap, haverá “ajustes” no futebol masculino, no futebol feminino e nos esportes olímpicos. A declaração abre espaço para uma revisão do elenco profissional, da folha salarial e dos investimentos previstos para a próxima temporada.
Isso não significa, neste momento, que determinados jogadores estejam oficialmente colocados à venda ou que o Flamengo tenha definido uma lista de atletas que deixarão o clube.
A tendência indicada pela diretoria é de revisão de despesas, enquanto o Flamengo tenta encontrar novos patrocinadores para substituir parte das receitas que podem desaparecer.
A dimensão do problema pode ser medida pelo peso da Betano na camisa rubro-negra.
Em 2026, o uniforme do Flamengo tinha contratos comerciais que somavam aproximadamente R$ 467,6 milhões por ano, sendo a Betano responsável sozinha por R$ 268,5 milhões — mais da metade desse montante.
Com a saída da casa de apostas, o clube terá de buscar uma nova empresa para ocupar o espaço máster. Entretanto, uma eventual substituição não necessariamente manterá o mesmo valor do contrato atual.
A perda de receitas pode atingir diretamente o planejamento esportivo.
Com menos dinheiro disponível, o Flamengo poderá ter de reduzir contratações, controlar salários, rever renovações e eventualmente negociar atletas para equilibrar as contas.
O próprio Bap afirmou que o impacto não ficará restrito ao Flamengo e que haverá um “efeito dominó” no futebol brasileiro, com ajustes no número de funcionários e nas despesas dos clubes.
O cenário, portanto, coloca o Flamengo diante de uma nova realidade financeira: um clube que montou seu planejamento contando com receitas recordes de patrocínio agora precisa readequar o orçamento caso não consiga repor rapidamente o dinheiro perdido com as bets.